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O que é a Psicossomática

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A psicossomática é um campo interdisciplinar que explora as relações entre fatores sociais, psicológicos e comportamentais, nos processos corporais e na qualidade de vida em humanos, animais e que pode ser compreendido dentro do sistema da natureza em geral.

Envolve diversas especialidades, onde aspectos mentais, emocionais, psicológicos podem afetar distúrbios físicos. A psicossomática entra como elemento unificador e esclarecedor.

No mundo islâmico medieval, os médicos persas Ahmed ibn Sahl al-Balkhi (m. 934) e Haly Abbas (m. 994) desenvolveram um modelo inicial de doença que enfatizava a interação da mente e do corpo. Eles propuseram que a fisiologia e psicologia de um paciente podem influenciar um ao outro.

No início do século XX, houve um renovado interesse pelos conceitos psicossomáticos. O psicanalista Franz Alexander tinha um profundo interesse em entender a inter-relação dinâmica entre mente e corpo.

Freud seguiu essa linha de interesse em doenças psicossomáticas após sua correspondência com Georg Groddeck, que estava, na época, pesquisando a possibilidade de tratar distúrbios físicos através de processos psicológicos.

Em 1970, Thure von Uexküll e seus colegas na Alemanha e em outros lugares propuseram uma teoria biossemiótica (o conceito de umwelt) que foi amplamente influente como uma estrutura teórica para a conceituação das relações mente-corpo.

Para Jung somos seres psicossomáticos por natureza, portanto, precisamos relacionar aspectos do espírito e do corpo. Através da ideia de inconsciente coletivo, compreendemos que a psique não é individual, mas de toda a humanidade. Liga-se tanto àqueles com quem interagimos visivelmente, quanto aos antepassados, e quiçá à toda a natureza.

Quando as ligações entre o individual e o coletivo, entre mente, espírito e corpo estão abertas e fluindo de forma natural, a vida acontece de maneira livre, leve e dinâmica, pois o fluxo traz um senso de propósito e realização de forma natural. Mas, se há bloqueios, podem haver a problemas na saúde, possivelmente com manifestações físicas e psicológicas. Para Jung em “Psicoterapeutas ou o Clero”:

“Uma psiconeurose deve ser entendida, em última instância, como o sofrimento de uma alma que não descobriu seu significado”.

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SÍMBOLOS

 

O símbolo transforma a energia psíquica no sentido de orientar, curar e restaurar. A palavra provém de symbolon (do verbo grego symballo = trançar, amontoar) e designa sempre um sentido profundo e invisível por trás do que é percebido pela consciência. É o grande propulsor de energia que ajuda o homem a se encontrar consigo mesmo, um confronto de forças antagônicas que se opõem e deste modo revela algo para o indivíduo, tendo a capacidade de integrar todo “material” que está desintegrado.

Transformam a energia deslocando-a do inconsciente ao consciente. Com este movimento vão ocorrendo às transformações, o casamento de opostos que nominamos de coniunctio,  que representa o símbolo alquímico de uma união de substâncias desiguais, onde temas como a morte, o novo nascimento, a perda e a  transformação vão surgindo.

Os símbolos sempre terão algo desconhecida e inesgotável, com isso promovem a transcendência, fazendo a síntese do consciente com o inconsciente. O inconsciente se manifesta pelo símbolo, que transforma a energia psíquica possibilitando a transdução dos complexos inconscientes para a consciência. Por isso, o símbolo é a melhor expressão possível do que ainda é desconhecido.

Os símbolos são as “usinas” que transformam a energia psíquica, redimensionando-a e direcionando-a. Jung percebeu através da empiria que o sentido final da energia psíquica é teleológico, como se cada vida tivesse um objetivo a ser alcançado, diferenciado e integrado. Ele sempre enfocou a energia psíquica como um meio de transformação, onde sua orientação é no movimento ascendente, porém analógico e circular, partindo dos impulsos mais instintivos e primitivos para as áreas da espiritualidade e da transcendência. Assim percebemos que esta energia está em permanente e inacabável movimento de fluxo e refluxo, como as marés, as estações do ano, o dissolve e coagula da alquimia, ondas e partículas quânticas, etc.

Para Jung, o constante confronto entre a natureza e o espírito, é que vai promover e contribuir para o crescimento, a auto regulação e ao equilíbrio psíquico. Eis o perigo da analise redutora: a dissolução do símbolo de forma precipitada!

SINTOMAS COMO SÍMBOLOS

Sintoma (do grego “acidente, infortúnio, aquilo que acontece”, entre outras traduções) é um afastamento da função natural ou uma sensação que o paciente tem, da presença de um estado diferente, que pode ser uma doença.

Um sintoma pode ser subjetivo ou objetivo, onde cansaço é um sintoma subjetivo, e febre, por exemplo, é um sintoma objetivo.

Uma das características da teoria junguiana é que ela vê grande valor nos sintomas. São de grande importância, extremamente relevantes, dando informações sobre o que está acontecendo no inconsciente, seja do indivíduo, seja do social, dados esses, tão imprescindíveis, pois para Jung, eram infinitamente mais poderosos que a consciência. Esses sintomas são mensagens de nossa alma, e ao entrar neles e dar a devida atenção, podemos ver o que está em desequilíbrio na psique, podendo, conscientemente, nos tornar mais equilibrados e íntegros.

A nível individual, para C. G Jung, um sintoma é como uma forma do self, o si-mesmo, comunicar-se com o ego. Em sua visão, para muitos casos, temos que dizer: “Graças a Deus, ele poderia se tornar neurótico”. A neurose é realmente uma tentativa de autocura. . . . É uma tentativa do sistema psíquico auto-regulador de restaurar o equilíbrio, de modo algum diferente da função dos sonhos – apenas mais vigorosa e drástica. [The Tavistock Lectures, ”CW 18, par. 389.]

Os sintomas, assim como os sonhos, a criatividade e a sincronicidade, são como mananciais simbólicos que irrompem à consciência, quando o si-mesmo deseja comunicar-nos algo fundamental. Como seres teleológicos, ou seja, que tem uma finalidade, um vir a ser, quando nos afastamos de nossos mais íntimos objetivos, recebemos esses “recados” do si-mesmo, que nos informam dos rumos que devemos seguir.

Esses recados, podem vir de diversas maneiras e a mais “dolorosa” são os sintomas, que apontam já para uma desarmonia, física, mental, psíquica, social, etc. Nesse estágio, procuramos auxílio imediato, ignorando as possíveis inter-relações existentes. A medicina oriental já trabalhava esses conceitos há milênios, a interligação das energias, do “chi”, ou “ki”, com os movimentos e estruturas de cada parte do corpo.

Jung traz uma visão alquímica, simbólica, onde um sintoma é uma imagem da desordem geral, a ser trabalhada de maneira profunda, a nível emocional, psíquico, social, intercultural, fisiológico.

PSICOSSOMÁTICA E TERAPIA

Como elemento simbólico, o sintoma entra dentro do campo de possibilidade de tratamentos via terapia, no caso, análise junguiana, uma vez que podem ser elaborados infinitos significados, sempre de acordo com a psique do paciente.

O processo psicossomático pode desaparecer, simplesmente ao paciente falar sobre suas dificuldades de infância, ou suas frustrações no trabalho, ao cheiro do desodorante do sogro, ou às lamúrias da sogra, da mãe. Como símbolo a ser desvelado, pode encontrar sua outra parte, num desejo não realizado, numa pintura não concebida, numa viagem sublimada.

De repente, o terapeuta, psicoterapeuta, como você quiser chamar, oferece lápis, aquarela, argila, ou qualquer outro material expressivo, uma música, quem sabe, e o paciente, desfaz o complexo, simplesmente fazendo um dinossauro de barro, lembrando da capa do disco que o lembra seus momentos com seu pai…

A investigação terapêutica do sintoma deve sempre ter início no próprio paciente que vai dando indicações do caminho a seguir, e onde o terapeuta guia-se, propondo a  seu orientado, formas de reconhecimento e dissolução das causas e efeitos dos sintomas.

De qualquer forma, precisamos compreender que o ser humano vive os símbolos, que os símbolos são parte inerente da vida e que precisamos vivenciar essa vida simbólica para que possamos conquistar, cada vez mais, saúde, em todas as áreas da vida.

“O homem necessita de uma vida simbólica… Mas não temos vida simbólica. Acaso vocês dispõem de um canto em algum lugar de suas casas onde realizam ritos, como acontece na Índia? Mesmo as casas mais simples daquele país têm pelo menos um canto fechado por uma cortina no qual os membros da família podem viver a vida simbólica, podem fazer seus novos votos ou meditar. Nós não temos isso. Não temos tempo, nem lugar. Só a vida simbólica pode exprimir a necessidade do espírito – a necessidade diária do espírito, não se esqueçam! E como não dispõem disso, as pessoas jamais podem libertar-se desse moinho – dessa vida angustiante, esmagadora e banal em que as pessoas são ‘nada senão’.”

Carl Gustav Jung –  Ego e arquétipo. (pg. 1)

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