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Estamos mais sábios? O afeto que nos afeta.

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Aqueles que não aprendem nada sobre os fatos desagradáveis de suas vidas forçam a consciência cósmica que os reproduza tantas vezes quanto seja necessário, para aprender o que ensina o drama do que aconteceu. O que negas te submete. O que aceitas te transforma. Carl G. Jung

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Será que de fato conseguimos olhar e refletir sobre o nosso dia a dia a partir de nós mesmos e das experiências que nos cercam a fim de aprendermos verdadeiramente as lições que nos são impostas diariamente?

Quando o consciente e o inconsciente, eu e Si-mesmo, tem um relacionamento contínuo, Jung considerava que a pessoa poderia então consolidar um senso de sua individualidade única, bem como de sua conexão com uma experiência mais ampla da existência humana, tornando-a capaz de viver de um modo criativo, simbólico e individual, a que ele chamou de individuação.

Um dos objetivos da terapia é auxiliar o sujeito a lidar com seus complexos e propiciar condições para que possa elaborar a autoconsciência e o desenvolvimento de suas potencialidades no intuito de realizar a individuação ao longo de sua vida.

Um complexo é uma reunião de imagens e ideias, conglomeradas em torno de um núcleo derivado de um ou mais arquétipos, e caracterizadas por uma tonalidade emocional comum. Quando entram em ação (tornam-se “constelados”), os complexos contribuem para o comportamento e são marcados pelo AFETO, quer uma pessoa esteja ou não consciente deles.

Portanto, para compreendemos esta trama, devemos lembrar que todos os dias, ao levantarmos, somos afetados por algo. Parte deste afeto é percebido corporalmente e quase de imediato, parte dele, fica registrado em nosso inconsciente.

Ainda sobre o afeto, sob o ponto de vista filosófico, Cortella diz que afeto é essa passagem, essa oscilação, é a interpretação que nosso corpo dá para aquilo que o mundo impõe a ele, para aquilo que acontece com ele, a esperança e o temor. (p.15, 2014).

Para Jung o conhecimento consciente do objetivo e do afeto de um complexo pode servir para modificar suas consequências negativas, ao dar imagem a esse conceito do complexo, pode-se dizer que o complexo é como uma planta: parte dela existe e floresce acima do solo, na consciência, e parte dela se estende invisível por baixo do solo, onde está ancorada e se alimenta, fora da consciência. (OC 8, § 210).

Quando olharmos para estas questões sem medo e com o enfretamento necessário para solucioná-las o caminho para o processo de individuação estará aberto. Teremos atingido o invisível debaixo do solo, sendo pessoas mais autênticas vendo em nossas experiências o que de melhor elas têm para nos garantir uma tranquilidade interna, não permitindo que o afeto nos afete tanto, e vivendo um processo de construção mais autêntica e feliz, sem medo.

Para finalizar, cito Paulo Freire.

Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível muda-lo sem certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes.

Portanto, sejamos coerentes conosco mesmos, só desta forma, poderemos ser mais felizes.

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Bibliografias

CORTELLA, Mario Sérgio, FILHO, Clóvis de Barros – Ética e Vergonha na Cara – Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2014.

HOPCKE, Robert H. – Guia para obra completa de Jung – 3ª ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

NASSER, Yone Buonaparte d’Arcanchy Nobrega. A identidade corpo-psique na psicologia analítica. Estud. pesqui. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 10, n. 2, p. 325-338, ago.  2010 .

Patricia Razza
Desde dezembro de 2004 atuando na Direção Geral de uma instituição educacional e cultural na cidade de Jundiaí. Responsável por seis unidades de ensino educacional e projetos institucionais voltados para famílias de baixa renda. Um projeto que envolve 250 profissionais e 1400 crianças e jovens matriculados além dos projetos multiplicadores. Responsável pela execução do Fórum Social, um evento que envolve a participação aproximada de 200 pessoas, com temas atuais e que conta com a participação de outras entidades assistenciais. Estabelecimento de agendas de supervisão pedagógica e administrativa para fins de alinhamento da rotina de trabalho. Experiência sólida profissional envolvendo atividades relacionadas a projetos de mudança sempre com foco na sensibilização dos profissionais para atuarem como seus agentes. Gerenciamento de projetos buscando alavancar vendas e abrir mercado para empresas de pequeno e médio porte tanto no Brasil quanto no Exterior. Atuou como coaching da equipe de consultores da Deloitte Consulting FORMAÇÃO ACADÊMICA: Pós Graduação em Psicologia Analítica – FACIS/IJEP - 2015 em curso Psicologia – Politécnica Anhanguera Jundiaí – 2015 Pedagogia – EAD COC - 2011 Pós Graduação em Psicopedagogia – Faculdades Anchieta – 2006/2007 Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos – Especialista – 2000/2005 Pós graduação em Comunicação em Marketing – Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo - 1994 Letras – Universidade Hebraico Brasileira Renascença - 1980 IDIOMA: Inglês fluente - falado e escrito Espanhol - regular

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