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Qual a diferença entre intuição e instinto?

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Nessa minha jornada da pesquisa e vivência no universo da Intuição, essa pergunta chega a mim com certa frequência. Eu, como bióloga e também estudiosa da psicologia junguiana digo que essa pergunta pode ter diferentes facetas.

Instinto vem do latim instinctu, que significa impulso. Para a Biologia, instinto é um padrão de comportamento herdado, peculiar para cada espécie. Representa uma inteligência no seu grau mais primitivo, como o instinto de se alimentar, por exemplo.

Mas pensando na complexidade do ser humano, a psicologia vai mais longe. Jung colocou que os instintos são forças motivadoras do processo psíquico. Os instintos em si não são criativos, mas são movidos por uma necessidade interior, que se repetem tanto nos comportamentos de uma pessoa como de um grupo de pessoas.

“Os instintos são formas típicas de comportamento, e todas as vezes que nos deparamos com formas de reação que se repetem de maneira uniforme e regular, trata-se de um instinto, quer esteja associado a um motivo consciente ou não. ” (Jung,C.G. A Natureza da Psique)

De onde provêm os instintos e como foram adquiridos, pelo olhar da psicologia, é um assunto complexo ligado aos processos inconscientes. Eles são essencialmente inconsciente e fazem arte de características herdadas.

Segundo Jung “Uma discussão do problema do instinto sem levar em conta o conceito do inconsciente seria incompleta, porque são precisamente os processos instintivos que pressupõem o conceito complementar de inconsciente. Eu defino o inconsciente como a totalidade de todos os fenômenos psíquicos era que falta a qualidade da consciência. ”

“O inconsciente é o receptáculo de todas as lembranças perdidas e de todos aqueles conteúdos que ainda são muito débeis para se tornarem conscientes. Estes conteúdos são produzidos pela atividade associativa inconsciente que dá origem também aos sonhos. Além destes conteúdos, devemos considerar também todas aquelas repressões mais ou menos intencionais de pensamentos e impressões incômodas. À soma de todos estes conteúdos dou o nome de inconsciente pessoal. Mas afora esses, no inconsciente encontramos também as qualidades que não foram adquiridas individualmente, mas são herdadas, ou seja, os instintos enquanto impulsos destinados a produzir ações que resultam de uma necessidade interior, sem uma motivação consciente. ” (Jung, C.G. A Natureza da Psique)

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Como a intuição também é uma qualidade inconsciente, intuição e instinto se aproximam.  

“ A intuição decorre de um processo inconsciente, dado que o seu resultado é uma ideia súbita, a irrupção de um conteúdo inconsciente na consciência. A intuição é, portanto, um processo de percepção, mas, ao contrário da atividade consciente dos sentidos e da introspecção, é uma percepção inconsciente. Por isso é que, na linguagem comum, nos referimos à intuição como sendo um ato “instintivo” de apreensão, porque a intuição é um processo análogo ao instinto, apenas com a diferença de que, enquanto o instinto é um impulso predeterminado que leva a uma atividade extremamente complicada, a intuição é a apreensão teleológica de uma situação. “(Jung,C.G. A Natureza da Psique)

Ou seja, enquanto o instinto é um ato impulsivo, a intuição está ligada ao entendimento de algo, uma apreensão, um insight sobre um conteúdo inconsciente não necessariamente de expressão comportamental repetitiva.

Devemos também considerar que as formas inatas de intuição, dadas pelos arquétipos de percepção, que determinam as nossas maneiras de perceber e entender o mundo.

“Devemos incluir também as formas a priori, inatas, de intuição, quais sejam os arquétipos da percepção e da apreensão que são determinantes necessárias e a priori de todos os processos psíquicos. Da mesma maneira como os instintos impelem o homem a adotar uma forma de existência especificamente humana, assim também os arquétipos forçam a percepção e a intuição a assumirem determinados padrões especificamente humanos. Os instintos e os arquétipos formam conjuntamente o inconsciente coletivo.

Chamo-o “coletivo”, porque, ao contrário do inconsciente acima definido, não é constituído de conteúdos individuais, isto é, mais ou menos únicos, mas de conteúdos universais e uniformes onde quer que ocorram. O instinto é essencialmente um fenômeno de natureza coletiva, isto é, universal e uniforme, que nada tem a ver com a individualidade do ser humano. Os arquétipos têm esta mesma qualidade em comum com os instintos, isto é, são também fenômenos coletivos. No meu ponto de vista, a questão do instinto não pode ser tratada psicologicamente sem levar em conta a dos arquétipos, pois uma coisa condiciona a outra. “ (Jung,C.G. A Natureza da Psique)

Instintos e intuição, portanto, são expressões inconscientes, sendo o instinto um comportamento inato característico de uma espécie, de um coletivo, e a intuição, é um arquétipo de apreensão, uma habilidade de percepção de um conhecimento, uma informação.

Na prática, são manifestações muitos semelhantes. Ao meu ver, o ato de amamentar um filho, por exemplo, é instintivo, por ser algo da espécie, mas saber que o seu bebê está com fome é uma intuição, ligada ao instinto materno de cuidado e proteção.

Independentemente de classificações, temos a capacidade inata de acessar conhecimentos de maneira irracional. Informações sutis imersas no universo inconsciente pessoal e coletivo. As possibilidades estão aí e a nossa intuição nos permite alcançá-las.

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Bia Rossi
Sou mãe, terapeuta, eterna buscadora do mais profundo do meu ser. Como neta de uma linhagem de benzedeiras e de espíritas, fui criada vendo o poder do invisível, o que me motivou a buscar entender o que está por trás das coisas. Da faculdade de Biologia ao estudo da Medicina Chinesa, filosofia, física quântica e Psicologia junguiana, meus caminhos me levaram a investigar a habilidade de enxergar além, o que culminou no meu propósito, entender como a intuição acontece e despertar essa força que leva a essência do que sou. Nessa caminhada me tornei terapeuta Bodytalk e fundei os projetos: Jung na Prática, Mulheres Intuitivas, Start Intuitivo e Biologia da Intuição, onde, juntos, seus conteúdos já impactaram mais de 100.000 pessoas nas redes sociais, congressos, palestras. Neles me dedico a estudar e ensinar mulheres e terapeutas a reencontrarem sua sabedoria intuitiva. "Com a intuição trazemos à tona a voz da mulher autêntica, forte que vive dentro de todas nós"

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom e esclarecedor o texto, embora em ligeiras pinceladas, parabéns!!!! Este tema é muito pertinente e, possivelmente, será explorado por mim, nos cursos de especialização em Psicologia Clínica e Psicanálise (Uniara) e Psicologia Analítica (Instituto Freedom).

    Cordial abraço!!!!

  2. Texto bem esclarecedor. Muitas vezes nos confundimos em relações aos institos e intuição. Entender que a intuição é uma percepção de algo, uma orientação orieunda de conhecimentos incosciêntes que temos condições de acessar naturamente e também trabalhar para estar em maior sintonia com nossa intuição. Bem assim eu entendi. Amei o texto.

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