O Herói que habita em Nós

O Herói que habita em Nós

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Somos todos os dias convidados a realizar algo em nossas vidas.

Seja por vontade própria, seja pela necessidade de atender o outro, sejam pelas circunstâncias da própria vida.

Muitas vezes o fazemos de forma consciente, outros momentos, estamos embalados pela rotina, sem muita consciência, como diz o Zeca Pagodinho:- deixando a vida nos levar.

Afinal, como é ser herói nos dias atuais? Do que se trata este arquétipo?

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Uma oportunidade de troca a respeito deste princípio que se estabelece logo no início da vida, antes mesmo da primeira respiração. Como estamos cuidando deste herói, quais são os desafios e conquistas que nos impulsionam para ativá-lo?

heroi
Fonte imagem: http://www.heroisemitos.com.br/2012/12/a-jornada-do-heroi.html

No documentário O Começo da Vida da diretora Estela Renner, Dr. Stanislav Grof, psiquiatra do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia diz: “o nascimento é a primeira jornada do herói. Nascer é o primeiro e grande desafio de uma pessoa: lutar para passar pelo canal de nascimento”.

De fato, se avaliarmos este momento, apesar da dependência da mãe para virmos ao mundo somos, desde muito cedo, convidados a fazer a nossa parte.

A vida começa e embalados pela mãe ou cuidadores, estabelecemos os nossos primeiros passos no mundo.

Seguimos a nossa jornada e com ela os desafios se apresentam e com eles temos a escolha de aprendermos ou não as lições trazidas.

Colaborando com este início de reflexão, temos segundo Campbell (1990), a citação sobre a saga do herói, em seu livro o Poder do Mito:

Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. Temos apenas que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo. (p. 131).

mulher heroina

Segundo Christopher Dell (2014) o mito é a tentativa de narrar toda uma experiência humana, cujo propósito é demasiado profundo, indo fundo demais no sangue e na alma, para uma explicação ou descrição de natureza psicológica.

Ao lidarmos com estes dois conceitos, é interessante pensar até que ponto a contemporaneidade tem nos permitido ser heróis, e melhor; ser heróis de nós mesmos?

O dia a dia é repleto de ações que tomam quase às 24 horas, não total, porque ainda podemos descansar. Funções e tarefas precisam ser realizadas afinal, não fazer isto é estar distante da normalidade e, portanto, muitas vezes distantes dos desejos e sonhos sobre uma vida menos agitada, com menos compromissos, mais inteira e próxima da realização de quem realmente podemos ser.

No livro Símbolos da Transformação (2014) Jung afirmar:

É a incapacidade de amar que priva o homem de suas possibilidades. Este mundo é vazio somente para aquele
que não sabe dirigir sua libido para coisas e pessoas e torná-las vivas e belas para si. (p.37)

De fato, a capacidade de amar está perdida? Será que o herói interno morre um pouco a cada dia? Temos a vida que realmente desejamos?

São várias perguntas, que merecem atenção.

Este ensaio não tem a pretensão de respondê-las, mas de deixar um espaço para reflexão de até que ponto tem sido permitido o chamado para a aventura, o encontro com o nosso mentor, o sentido de religar, na busca do nosso SELF, para enfim, poder vencer as próprias batalhas e usufruir de recompensas com real satisfação.

Colaborando ainda com esta proposta, segue a frase de Fernando Pessoa.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares; é o tempo da travessia: e, se não ousarmos faze-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

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Referências

CAMPBELL, Joseph – O poder do Mito, São Paulo: Palas Athena, 1990.

DELL, Christopher – Mitologia: um guia dos mundos imaginários – São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2014.

JUNG, Carl G. – Símbolos da Transformação, Obra Completa 5. São Paulo. Ed. Vozes, 2010.

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Patricia Razza
Desde dezembro de 2004 atuando na Direção Geral de uma instituição educacional e cultural na cidade de Jundiaí. Responsável por seis unidades de ensino educacional e projetos institucionais voltados para famílias de baixa renda. Um projeto que envolve 250 profissionais e 1400 crianças e jovens matriculados além dos projetos multiplicadores. Responsável pela execução do Fórum Social, um evento que envolve a participação aproximada de 200 pessoas, com temas atuais e que conta com a participação de outras entidades assistenciais. Estabelecimento de agendas de supervisão pedagógica e administrativa para fins de alinhamento da rotina de trabalho. Experiência sólida profissional envolvendo atividades relacionadas a projetos de mudança sempre com foco na sensibilização dos profissionais para atuarem como seus agentes. Gerenciamento de projetos buscando alavancar vendas e abrir mercado para empresas de pequeno e médio porte tanto no Brasil quanto no Exterior. Atuou como coaching da equipe de consultores da Deloitte Consulting FORMAÇÃO ACADÊMICA: Pós Graduação em Psicologia Analítica – FACIS/IJEP - 2015 em curso Psicologia – Politécnica Anhanguera Jundiaí – 2015 Pedagogia – EAD COC - 2011 Pós Graduação em Psicopedagogia – Faculdades Anchieta – 2006/2007 Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos – Especialista – 2000/2005 Pós graduação em Comunicação em Marketing – Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo - 1994 Letras – Universidade Hebraico Brasileira Renascença - 1980 IDIOMA: Inglês fluente - falado e escrito Espanhol - regular

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