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A Alquimia Como Processo Transformador

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O objetivo mais importantes da alquimia era descobrir o elixir da longa vida, que era a medicação que curava todos os males e que dava a vida eterna. Outra coisa que eles buscavam era transmutar os metais comuns em ouro e muitos alquimistas foram para um lado bastante concreto e literal, acreditando que eles podiam fazer essa transformação.

Na verdade, o ouro é uma metáfora, onde o alquimista acredita que tudo tem uma essência que deve ser desvelada, revelando-se, como o mais puro do ser, o seu ouro. Caberia, então, ao alquimista acelerar esse movimento da natureza através do fogo, através dessa energia para conseguir fazer com que esse ouro venha à tona.

Esse trabalho de desenvolvimento, que de forma natural levaria muito tempo, com o trabalho do alquimista, através dos vasos, do forno, de esquentar mais ou menos, esse calor, que é a energia, e aqui também a gente pode fazer um paralelo com a energia psíquica, isso tudo vai fazendo com que esse ouro saia à tona.

Esse era o objetivo a ser atingido quando se chega à pedra filosofal. A pedra, nesse sentido, é considerada o opus alquímico, a meta, o objetivo da alquimia.

Jung se aprofundou muito na simbologia alquímica, tentando mostrar assim o significado oculto desses símbolos e sua importância no caminho para a individuação, para a realização do si-mesmo, da sua essência.

A SIMPLICIDADE DA ARTE E DA TRANSFORMAÇÃO

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A alquimia é a arte da transformação. Ela aspira chegar na essência das coisas elevando a matéria num nível superior na manifestação, onde um estágio complementa outro.

A quintessência, ou o quinto elemento não se trata de um elemento em si, como os elementos que a gente conhece, a água, a terra, o fogo e o ar, mas da reunião, não por soma, desses elementos, como a descoberta de suas potencialidades máximas, uma outra forma, nem uma nem outra, algo diferente.

Cada um desses elementos são os que colocam em movimento toda a energia, tudo que existe. Então, a quintessência é o equilíbrio desses quatro elementos. Quando a pessoa consegue equilibrar esses quatro elementos na vida, ela consegue realizer a quintessência. Então, ela é uma experiência, ela não é uma matéria como quando a gente fala de terra, de fogo, água, ela é realmente experiência.

OS ELEMENTOS

A água é nossa vida emocional, são os nossos afetos, é o inconsciente, ele é fluido, a gente não consegue pegar, ele escapa.

A terra é a nossa realidade, é o concreto, é o mundo terreno, é a criatividade, é a fertilidade. Se existe uma terra árida, onde nada nasce, se está faltando minerais naquela terra… não adianta querer arrumar o jardim com uma terra que está infértil.

O ar, por exemplo, está relacionado com o pensar, com o mundo das ideias, com o conhecimento… É a consciência, é a inteligência na sua mais alta forma, a sabedoria.

E o fogo é a chama que nos anima. É o calor que aquece, mas se em excesso pode queimar. O fogo é a arte do analista, é você saber até onde você pode aumentar o fogo, a hora que você tem que abaixar o fogo.

Esses elementos precisam estar todos em equilíbrio dentro da gente. E conforme a gente vai conseguindo esse equilíbrio dos elementos é que a gente consegue atingir a quintessência, que é essa possibilidade de desenvolver as nossas quatro funções.

MATÉRIAS BÁSICAS

As matérias básicas são as substâncias que organizam a árvore da vida. Essas substâncias estão em cada árvore da vida, em cada pessoa. Temos o súlfur (ou enxofre), o sal, e o mercúrio. O enxofre é a base da árvore, é a raiz da árvore, o enxofre é muito ligado aos desejos, às vontades, ao querer fazer alguma coisa, essa energia da realização e de matéria. É a raiz da árvore, se você não tiver uma boa raiz, consequentemente vai estar comprometida toda árvore. Então, a árvore precisa ter uma raiz do tamanho da sua copa.

Outra substância é o sal, que está no tronco da árvore. Pensando no corpo da pessoa, da cintura para baixo, seriam as raízes, esse centro do corpo, o sal, e a cabeça, o mercúrio. O sal é muito ligado às nossas emoções.

Sal em excesso não deixa transformar. Os antigos usavam o sal no lugar do gelo, por que eles não conheciam o gelo. Então o sal ajuda a conservar. Uma pessoa muito salgada é uma pessoa que não transforma, ela fica remoendo as emoções e ela não consegue transformar.

Se você salgar demais, ela vai ficar amarga. Então, essa pessoa se torna amargurada. Ou então ela fica uma pessoa sem sal, como se diz popularmente

O mercúrio é a copa da árvore, a cabeça, ele está ligado aos pensamentos.

É preciso tempero, para que haja o bom sabor!

Cada uma das substâncias tem uma relação com uma parte do corpo. Então, por exemplo, sal tem muita ligação com o sangue, com a circulação…

A transmutação se dá porque todos esses elementos alcançam um equilíbrio e esse precesso é feito através de operações alquímicas. Existem 7 operações principais que são: SOLUTIO, CALCINATIO, não que elas se deem nessa ordem eu estou falando assim para se entender de forma mais pedagógica, COAGULATIO, SUBLIMATIO, MORTIFICATIO, SEPARATIO e CONIUNCTIO. Essas são as 7 operações mais importantes dentro da alquimia, e cada uma delas ocorre dentro de fases.

As fases mais importantes são: NIGREDO, ALBEDO E RUBEDO. São essas as 3 fases, tem as CITRINITAS também, que é uma passagem do ALBEDO para RUBEDO, mas essas são as fases mais importantes, e as operações estão dentro dessas fases.

Quando o paciente chega para a gente com muita dor, com muito sofrimento com as queixas, em geral, ele está nessa fase da NIGREDO. Então a gente tem que suportar esse NIGREDO que é o escuro, é o negro, é o pesado, é o difícil, é o que precisa ser limpo, ser purificado. A gente precisa suportar junto com o paciente isso para, aos poucos, ir limpando e tendo um clareamento que é o albedo.

ALBEDO é o processo de purificação quando já ocorreu a lavagem dos metais. Aquilo que não serve foi embora com o que vinha, tudo junto. E aí o paciente já consegue, na ALBEDO, ter maior consciência, e se afastar um pouco daquilo que ele estava muito contaminado. Após, ele deve passar para outra fase, que é o AMARELAMENTO, onde vai começando a entrar nas emoções até chegar na RUBEDO, que é a meta, que é a transformação em ouro, onde as emoções vêm com maior intensidade, com maior vontade de realização. Então, é muito importante o analista conhecer as operações para que ele consiga saber reconhecer as fases onde o paciente dele está.

A alquimia pensa sempre por meio de imagens, por isso, tem-se, nos livros alquímicos, muitas figuras, muitas imagens. É preciso meditar essas imagens, por que as explicações vão nos vindo através das imagens.

Jung se interessou muito pela alquimia. Uma das falas do Jung é que a psique funciona por imagens. Se a psique funciona por imagens, qual é o melhor instrumento para se trabalhar a psique?

É a imagem.

Quando a gente se apropria da imagem, ela nos diz muito mais do que as palavras. As palavras podem vir depois, mas nunca as palavras conseguem escutar uma imagem. A imagem é uma coisa muito forte mesmo e que gera muita transformação no paciente. A alquimia fala por meio dessas imagens.

Nas operações alquímicas, a gente pode falar um pouco da SOLUTIO… um agente da SOLUTIO é o si mesmo, é a essência, e é o confronto do eu com o inconsciente.

Então na SOLUTIO a gente tem a água vindo, a gente vê muito choro por parte do paciente, ou alagamentos quando ele faz, por exemplo, na caixa de areia, que é a lavagem dessas emoções… podem estar cristalizadas ou excesso de sal que precisa ir embora. Então, ele põe muita água e, aos poucos aquilo vai secando. A operação SOLUTIO é feita através do elemento água. Ela vai dissolver os aspectos psíquicos que estão estagnados, as estruturas que precisam ser transformadas que precisam ser mudadas. Depois da SOLUTIO, podemos pensar na CALCINATIO que é uma operação alquímica onde é o fogo, quer dizer, conseguir a transformação através do fogo.

A SUBLIMATIO que é uma operação pelo ar onde também pode se trabalhar com esse elemento, através de respiração. Então o ar vai ajudar também numa transformação, num distanciamento das emoções. São outras possibilidades.

A COAGULATIO que é o conseguir, depois de trabalhar todas essas questões, coagular, quer dizer, concretizar isso de uma outra forma, de um outro jeito, coagular de uma outra maneira. Então é quando se dá realmente a transformação da pessoa.

Depois vamos ver outras operações como a MORTIFICATIO ou PUTREFATIO que é uma operação alquímica de grande transformação, mas que gera muita dor, onde há uma perda, ou há uma morte, uma morte simbólica. Quando a pessoa precisa abrir mão de alguma coisa da vida dela que é difícil e que ela precisa entregar aquilo como oficio sagrado, como entregar algo para que aquilo morra e para que possa surgir o novo. É uma fase bastante dolorida, bastante difícil, onde a pessoa já entende que ela precisa entregar para realmente poder mudar.

A SEPARATIO que é uma operação de separação, de discriminação, de perceber o que é bom, o que é ruim, o que vale a pena, o que não vale. E por último a CONIUNCTIO, a integração, que seria o casamento de novo, a integração dos opostos, do sol e da lua, do positivo e do negativo, do bem e do mal, isso tudo está dentro da gente, a luz e a sombra. A CONIUNCTIO é uma etapa onde algo se integrou dentro da sua vida dentro da sua estrutura.

Enquanto a árvore estiver viva, essas operações e fases alquímicas vão ocorrendo, quer dizer, quanto mais operações, quanto mais transformações, quanto mais integrações a gente conseguir fazer, mais essa pessoa vai estar desenvolvida e evoluída no seu processo de individuação.

ALQUIMIA E TERAPIA

Jung passou uma grande parte dos anos dele, de maturidade, trabalhando com a alquimia, pois ele observou que essas imagens apareciam nos desenhos, pinturas, sonhos de seus pacientes. A psicologia profunda, a psicologia analítica, tem uma base alquímica bastante forte, onde se observa a importância das metáforas, a importância dessa linguagem, do acesso às imagens. A linguagem alquímica em si é terapêutica.

O Jung se dedicou por aproximadamente 35 anos a pesquisá-la e cerca de um quarto de sua obra é em cima de textos e temas alquímicos.

Conforme a gente for se trabalhando internamente, quanto mais a gente entra em contato com a nossa parte criativa, maior probabilidade a gente vai tendo de vencer os obstáculos da vida, de integrar conteúdos e de desenvolver o autoconhecimento.

A alquimia é um espelho dessa imensa metáfora que é a vida.

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