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Poder ou amor? Eis a questão – As relações afetivas na atualidade

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“Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina há falta de amor. Um é a sombra do outro.” (Jung).

A frase de Jung reverbera nos dias atuais. Estamos imersos em uma sociedade em que o poder se tornou o foco de conquistas para grande parte das pessoas, tal situação também se manifesta nas relações afetivas.

O que é poder afinal? Segundo o Houaiss há várias definições, entre as quais destaco: “ter possibilidade de”; “ter força física ou moral”; “ter domínio, controle; direito ou capacidade para decidir; dentre outras”.

Em si o poder não é do mal. Por isso Jung fala em sombra; sombra é algo que faz parte de nossa persona, quanto mais a negamos, mais espaço ela ocupa.

De maneira didática, “é a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções mal desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente (Jung)”.

Então, tenho me perguntado o motivo (ou motivos) pelo qual, na maioria dos relacionamentos, o Poder é aquele que tem dominado.

Embora os relacionamentos aconteçam em nome do amor, o poder tem ocupado uma parte central, às vezes em situações simples e em outras de não permitir que o parceiro tome decisões, emita opiniões.

Bauman chama a atenção para o uso da palavra amor sem nenhuma responsabilidade, desprovida de seu significado; ele chama nossa atenção para esse amor líquido, as pessoas são tratadas como bens de consumo; logo podem ser descartadas, trocadas, pois perderam seu valor.

Pessoas que tem aprendido que é preciso ter para ser feliz acreditam que o outro também é objeto. O controle sobre este objeto faz parte da lista de conquistas. Afinal a sombra também “está permeada de associações e projeções de elementos arquetípicos coletivos”.

Lembrando um dos termos do Houaiss, essa necessidade de dominar o outro, TER o controle e disputar o poder, tem feito parte das relações afetivas; Minuchin diz que “quando um casal funciona harmoniosamente não há necessidade de competição; o senso de self é compatível com o senso de ser um casal.”

A cada dia aumentam os casos de divórcios, violência doméstica, homicídios e suicídios entre os casais. E, em vários casos de divórcios são relações com pouca duração nas quais se diz que o amor acabou.

Embora a violência sempre tenha existido, tem-se a sensação de que está aumentando. Casais cada vez mais jovens, com pouco tempo de relacionamento se tornam parte da estatística.

Na maioria das vezes, alguém não aceita o fim do relacionamento. Impera o sentimento de que o outro pertence portanto este outro não tem direito a “abandonar” a relação. Não tem direito a construir um projeto de vida em que o (ex) parceiro não faça parte.


As relações afetivas são fundamentais para os seres humanos, afinal também podemos crescer e evoluir dentro de relações saudáveis. Reconhecer que o poder tem feito parte de nossas relações pode ser um passo no processo de crescimento individual e, quiçá a dois.

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Bibliografia
BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar.
COSTA, Janaina Moutinho. A sombra que em mim há. Disponível em www.jungnapratica.com.br. Acesso em: 18/12/2017
JUNG, Carl. Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petropolis, RJ: Vozes, 2008
MINUCHIN, Salvador. Famílias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre:Ed. Artes médicas

5 COMENTÁRIOS

  1. Acontece muito comigo e meu marido e na relação com nossos filhos desde muito cedo. Ele sempre foi intolerante com certas demandas dos filhos e eu acabava tomando as dores fos filhos. Nso foi bom, pois não souberam encontrar seu próprio caminho. Estamos tentando corrugir com terapia.
    Obrigada pelos textos.
    Abraços e um ótimo ano!

    • Olá, Regina!

      Entendo! O primeiro passo para resolver as dificuldades é identificando-as! Tenho certeza que tudo ocorrerá bem!

      Felicidades e ótimo ano para você!

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