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Negócios & Psicologia: 7 mitos da profissão

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Este Texto foi oferecido pela psicóloga Tatiana Spalding Perez – CRP 07/26032

Querida/o colega psicóloga/o,

O que passa pela sua mente ao ver juntas as palavras Negócio & Psicologia? Seja sincera/o. O que você pensa sobre isso? Se você está lendo este texto pode ser que tenha um olhar diferenciado, mais aberto e menos preconceituoso. Mas para a maioria das/os psis é estranho falar em Negócio e Psicologia. Quase como se um anulasse o outro.

Se você pensar na sua formação, pode até ser que esta diferença faça sentido. Em algum momento da faculdade você ouviu falar em Marketing, divulgação, networking, empreendedorismo? Digo em uma disciplina DA Psicologia? Lembro de ter visto isto na minha faculdade em disciplinas da Administração, nos primeiros semestres, momento em que nem imaginava o que faria dentro de 5 anos. A disciplina foi ótima, não se engane, e a professora então era maravilhosa, mas não foi o suficiente para que eu pudesse enxergar a profissão psi como uma profissão empreendedora. Até porque não era esta a intenção da disciplina.

E ao longo dos demais 5 anos não foi esta a intenção da graduação em si (por mais que a faculdade onde estudei tenha uma proposta empreendedora). Quanto mais perto da formatura, mais recorrente eram as célebres frases “com a formatura vem o desemprego”, “leva dez anos para se estabelecer no consultório”, “no início vocês vão pagar para trabalhar”, “para manter o consultório você terá que ter outro emprego que pague as contas”, etc. etc. etc. Você escutou alguma destas frases?

A questão é: frases como estas criam mitos sobre ser psicólogo que não nos motivam como profissionais. O primeiro passo para estudar Marketing para Psicólogos, portanto, está em rever nossas crenças. Pergunte-se quais são os mitos que você acredita sobre a atuação profissional. E os questione! Afinal, somos especialistas nisso, não?

Para lhe ajudar neste primeiro momento, apresento abaixo 7 destes mitos e os meus questionamentos sobre eles:

1) O MITO DA INÉRCIA – É comum a seguinte situação: o estudante se forma psicólogo, faz um cartão de visitas básico, distribui/posta nas redes sociais, senta e espera. E espera. E espera. Até sentir-se inerte. Como se a inércia fizesse parte da profissão. Como se os clientes só pudessem chegar através de indicação. A indicação é sim um dos nossos PONTOS DE ALCANCE, mas não deve ser o único. Porque aqui ficamos presos àqueles que já nos conhecem e confiam no nosso trabalho. E para que cada vez mais pessoas nos conheçam, precisamos divulgar mais o que faz a Psicologia, para que serve, a quem pode atender, onde, como, quando! E isto se chama EMPREENDER. É interessante como este primeiro mito leva ao próximo: “Mas Tati, o psicólogo não deve se expor tanto”…

2) O MITO DA SUPEREXPOSIÇÃO – Algumas pessoas acham que trabalhar com Marketing e Psicologia é expor demais o profissional. A questão é que o Marketing da/o psicóloga/o não deve ser focado na pessoa em si. O foco deve estar no CONTEÚDO, na Psicologia! No que faz um psicólogo. E aí tem um mundo de coisas lindas a serem trabalhadas, pesquisadas, informadas às pessoas em geral. Você não precisa, aqui, falar somente a linguagem psi, técnica e específica. Aqui o importante é que você fale de forma que as pessoas comuns entendem e, então, valorizem a profissão. Isto se chama MARKETING DE CONTEÚDO. Mais uma vez, este mito leva ao próximo: “Tati, não tem espaço para tanto psi formado!” Oi?

3) O MITO DE QUE NÃO TEM ESPAÇO PARA TODOS – Uns olham para seus colegas como competidores e não como parceiros. E, assim, acreditam que não tem espaço para todo psi fazer marketing. Mas, pensa comigo: quantas disciplinas com assuntos diferentes na psicologia você fez na faculdade? Diversas, não? Nosso Conselho Federal, por exemplo, na Resolução CFP nº 013/2007 apresente 12 áreas de especialização do profissional. E dentro de cada área existe um mundo de possibilidades de atuação. Logo, possibilidades para o Marketing. POR EXEMPLO: Uma psicóloga clínica pode trabalhar com adultos, crianças, idosos, casais, famílias, etc. Dentro destas possibilidades, escolherá uma para focar seu marketing (obs.: marketing é foco). Digamos que escolheu crianças. Dentro do mundo infantil, o marketing desta psi poderá ser focado na educação sócio-emocional, por exemplo, ou em transtornos específicos, ou em habilidades sociais, ou, ou, ou… Enfim, a partir do público abre um leque possibilidades. A isto damos o nome de NICHO/PÚBLICO ALVO. Observação: isto não quer dizer que você não atenderá as demais demandas, mas este é um assunto para o próximo texto. Ah! De novo, este mito leva ao próximo: “Bah Tati, mas ficamos muito sós no consultório”…

4) O MITO DA SOLIDÃO – Quando olhamos nossos colegas como competidores, tendemos sim a nos isolar. Tememos que o outro nos julgue, nos considere um profissional ruim, nos denuncie para o conselho, etc. Nos mantemos na nossa inércia dentro do consultório, agora com clientes. E eu te pergunto: tem momento mais enriquecedor na Psicologia que a supervisão? Ela não é só para quem está em estágio não, viu? É um dos tripés do nosso trabalho: terapia, supervisão, estudos. E ainda dentro deste tripé, aproveite congressos, cursos, formações para conhecer os colegas. Se interesse em saber quem são os outros, onde atendem, com qual abordagem, qual público. Quantas vezes precisamos encaminhar alguém e não sabemos para quem? Saiba para quem! Conheça o que os outros fazem. Assim, eles também terão a oportunidade de te conhecer. Sabe a máxima “quem não é visto não é lembrado”? Então, serve para a psi também. Isto se chama NETWORKING (REDE DE CONTATOS PROFISSIONAIS). E quanto ao medo de ser denunciado ao conselho, eis o nosso próximo mito.

5) O MITO DA ÉTICA LIMITADORA – Muitos psis temem o Conselho. E por isso só vão lá para pegar a carteira. Você já participou de algum evento do seu CRP? Já foi em alguma reunião, viu algum vídeo, respondeu questionário, foi pedir uma orientação ética? Se não, sugiro fortemente que o faça. Sim, uma das funções do Conselho é fiscalizar (e que bom!), mas mais que isso a principal função do Conselho é nos orientar. Então, se ficar na dúvida: procure o conselho. Consulte o código de ética. Nossa ética não é limitadora. Ela é ÉTICA PROFISSIONAL. Se quiser saber mais sobre isso, sugiro um vídeo do Bruno Rodrigues em que ele fala sobre o uso do código de ética (https://youtu.be/TdJTuTOwHQM)

6) O MITO DO NÃO NEGÓCIO – Por fim, o mito que dá título a este texto: Psicologia não é negócio. Mas e você autônomo? Você não cobra pelos atendimentos? Não tem contas de consultório a pagar? Não tem contratos de aluguel e etc. a cumprir? Claro que sim! E isto já é negócio. Saber gerenciar nossas finanças é negócio. Saber cobrar é negócio. Saber fazer um contrato com o cliente do serviço que está sendo prestado é negócio. Saber explicar que serviço estamos oferecendo é negócio. Viu quantas coisas são negócio? Se você tem dificuldade com organização financeira, pode ser que tenha mais um mundo de crenças aí que trazem o sétimo (e último, vou parar por aqui, prometo) mito: “Tati, Psicologia não dá dinheiro!”

7) O MITO DO DINHEIRO – Quando estudamos Marketing entendemos que dinheiro não se ganha, se faz! Vivemos em um mundo capitalista em que é preciso trabalhar para receber dinheiro, e é através do trabalho que fazemos dinheiro. A questão é: que crenças temos sobre Dinheiro e como organizamos nossa vida financeira? Se você tem dificuldades com as finanças, recomendo a página da psicóloga Deyse Medeiros sobre Psicologia Financeira: https://www.facebook.com/deysemedeirospsi/?ref=br_rs. Você pode até ter entrado para a Psicologia porque queria ajudar as pessoas e você também pode ser apaixonada/o por trabalho voluntário, sem problemas. Mas entenda: você também precisa ter dinheiro para pagar as suas necessidades básicas. Não é melhor ajudar o outro quando estamos bem? Não é melhor quando valorizamos nossa profissão? Por que muitas pessoas acham que fazer terapia é caro, mas não acham caro comprar o iPhone da última geração? Aqui falamos de PREÇO e VALOR. A terapia em termos de preço será menor que o iPhone, porém muitas pessoas valorizam muito mais o iPhone e cabe sim a nós psis mostrar para as pessoas como é importante valorizar a sua saúde mental. Felizmente tenho visto uma mudança de perspectiva no consultório. As pessoas estão sim buscando terapia dando o seu devido valor. Mas nós não podemos entrar na inércia e achar que do nada o mundo vai começar a olhar para a Saúde Mental. Precisamos fazer algo. E a Campanha Janeiro Branco e está aí para nos ajudar e ajudar o mundo a ser um lugar melhor (conheça a campanha em www.janeirobranco.com.br) ; )

Ao longo do texto apresentei diversos conceitos do marketing. Fique tranquila/o, nos próximos textos veremos eles. Alguns de forma mais detalhada, outros menos. Se tiver algum que tenha interesse maior, me avise que darei mais atenção a ele.

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