Início Psicologia Simbólica Junguiana Como as experiências do bebê estão relacionadas à fé no adulto

Como as experiências do bebê estão relacionadas à fé no adulto

2328
0

“A fé move montanhas”. Essa frase já reverbera no inconsciente de muitos. Mas o que é fé, afinal?

Quando ouvimos essa palavra, ela vem carregada de conceitos religiosos.

“A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. – Hebreus 11:1

Independentemente de religião, fé é uma palavra que tem sua origem no antigo idioma grego, onde “pistia” indicava a noção de acreditar em algo. Logo, quero focar aqui a fé como essa habilidade do ser humano de crer em algo invisível, intangível.

Essa habilidade de crer em algo intangível é uma característica da abstração do ser humano que, como muitos estudos mostram, podem curar, ser o combustível de movimento da vida e tem uma relação íntima com a felicidade. Um estudo feito na Europa mostrou que pessoas espiritualizadas se dizem mais satisfeitas do que aquelas que não se consideram espiritualizadas.

A habilidade de crer em algo invisível ativa também outras emoções essenciais. “O geneticista americano Dean Hamer causou rebuliço no meio científico em 2004 ao anunciar a descoberta dos genes da fé – ou, como ele preferiu chamar, o gene de Deus. Batizado de VMAT2, trata-se de um conjunto de genes que ativam substâncias químicas que dão significado às nossas experiências. Eles atuam no cérebro regulando a ação dos neurotransmissores dopamina, ligada ao humor, e serotonina, relacionada ao prazer. ” (A ciência da fé, Revista Super Interessante)

Quando falamos de fé, a primeira mais comum é pensarmos nos adultos. Se observarmos a criança, ela tem seu próprio “mundo invisível”.  Ela brinca com seu brinquedo, constrói sua casa com seus bonecos, vivenciando intensamente o seu universo mágico como sua realidade.

Essa “realidade da criança” é totalmente diferente do adulto. Podemos associar as percepções das crianças com as frequências cerebrais em diferentes idades. A partir dos 12 anos de idade a criança está na frequência beta, a qual estamos acordados conscientes no dia a dia. Até os 2 anos, a frequência predominante é delta, sendo essa atingida quando estamos em sono profundo. Dos 2 aos 7, predomina a frequência theta, correspondente a frequência dos nossos sonhos, ou meditação profunda. Dos 7 aos 12, predomina alfa, a que corresponde ao nosso estado meditativo/relaxamento. (Lipton, B.H.)

Quero dar uma atenção nesse texto ao período até os 2 anos de idade. Nessa fase, ela é totalmente dependente e vive um intenso aprendizado associado às necessidades básicas do ser humano, como se alimentar, ser acolhido, limpo. Ela não percebe a existência do Outro. É um momento de diferenciação, onde a mãe e ele são um, mas ele ainda não percebe que existe ele e a mãe, é como se eles fossem um, sendo a mãe uma extensão dele.

Nessa fase, o próprio mundo mágico, místico, está manifestado. Para a Psicologia Simbólica Junguiana, isso se expressa pela presença do Arquétipo matriarcal que coordena o  mundo cinestésico, pré-verbal das relações primárias. (Byington, C.)

É um momento de expressão irracional, marcada pela vivência das emoções advindas das suas necessidades biológicas e das sensações do meio, que, para a criança, são sensações dela também. Dor de barriga, fome, frio, calor geram sensações biológicas de conforto ou desconforto e vão gerar suas memórias emocionais mais profundas marcadas no sistema límbico, afinal seu cérebro está em delta e ele percebe sensações e emoções.

A vivência dessa fase vai marcar a sua experiência esotérica, emocional, mágica, mítica pelo resto da vida. Se as suas necessidades básicas são atendidas, a sua experiência emocional profunda é de que algo invisível, e que também é ele mesmo, pode prover suas necessidades.

Logo, podemos pensar que a relação do bebê com a mãe e o prover de suas necessidades primárias está intimamente relacionado à sua capacidade, quando adulto, de acreditar que é capaz de se prover e também de crer em algo invisível, ou seja, de ter fé.

A fé, como a autoconfiança, a habilidade de ser feliz são características individuais, sim, mas podem ser ensinadas e, por incrível que pareça, também reside no atendimento das necessidades primárias do ser humano.

Referências:

LIPTON, B. H. Biologia da Crença. Butterfly editora. São Paulo, 2017

BYINGTON, C. A. A Viagem do Ser em busca da Eternidade e do Infinito. São Paulo, 2013.

Revista Super Interessante online: A Ciência da fé.

Bia Rossi
Sou mãe, terapeuta, eterna buscadora do mais profundo do meu ser. Como neta de uma linhagem de benzedeiras e de espíritas, fui criada vendo o poder do invisível, o que me motivou a buscar entender o que está por trás das coisas. Da faculdade de Biologia ao estudo da Medicina Chinesa, filosofia, física quântica e Psicologia junguiana, meus caminhos me levaram a investigar a habilidade de enxergar além, o que culminou no meu propósito, entender como a intuição acontece e despertar essa força que leva a essência do que sou. Nessa caminhada me tornei terapeuta Bodytalk e fundei os projetos: Jung na Prática, Mulheres Intuitivas, Start Intuitivo e Biologia da Intuição, onde, juntos, seus conteúdos já impactaram mais de 100.000 pessoas nas redes sociais, congressos, palestras. Neles me dedico a estudar e ensinar mulheres e terapeutas a reencontrarem sua sabedoria intuitiva. "Com a intuição trazemos à tona a voz da mulher autêntica, forte que vive dentro de todas nós"

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here