Cura como um processo de Autoconhecimento

Cura como um processo de Autoconhecimento

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Você já percebeu o quanto saímos transformados depois de um processo de doença?

Jung descreve uma passagem no livro “Memórias, Sonhos e Reflexões” em que o período enfermo foi de grande produtividade.

Ele ficou três semanas enfermo, vivenciando uma imersão em imagens surgidas espontaneamente. Essa fase representou pra ele um divisor de águas em sua vida sendo que logo em seguida nasceram suas mais importantes obras e compreensões existenciais:

“Depois dessa doença começou um período de grande produtividade. Muitas de minhas obras principais surgiram […]”

“Foi só depois da minha doença que compreendi o quanto é importante aceitar o destino. Porque assim há um eu que não recua quando surge o incompreensível. Um eu que resiste, que suporta a verdade e que está à altura do mundo e do destino. Então uma derrota pode ser ao mesmo tempo uma vitória. Nada se perturba, nem dentro, nem fora, porque nossa própria continuidade resistiu à torrente da vida e do tempo. Mas isso só acontece se não impedirmos que o destino manifeste suas intenções.”

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Calma, não estou dizendo que doença é bom. Mas também não digo que é ruim. Bom e ruim são julgamentos. Prefiro falar em agradável ou desagradável.

Quando estamos bem, felizes, saudáveis, tudo dando certo, ficamos gratos, alegres. E quando estamos na dificuldade, nos sentindo irritados, tristes, com dor, com problemas financeiros? A gratidão vai embora. Reclamamos, ficamos mais tristes, perguntando “o que fiz para merecer isso”, muitas vezes, se sentindo coitados e injustiçados pela situação.

Nossa vida é feita de altos e baixos. Nossos sintomas físicos, sentimentos “ruins” como tristeza, medo e fatos “desagradáveis”, fazem parte do nosso processo de mudança e crescimento.

Eu me inspirei a escrever esse texto por uma experiência que acabei de passar. Fiquei cerca de 2 anos com pedra na vesícula, lutando. Na minha cabeça a cura era dissolver a pedra. Sofri, me culpava porque não conseguia fazer direito as orientações alimentares. Esse caminhar me levou a descobrir a Yoga, a Nutrição Ayurvédica, (indiana), revi muitos medos, crenças. Quando resolvi acolher o processo sem lutar, resolvi retirar cirurgicamente. Isso para mim representava uma derrota no começo. Descobri que era uma crença. Quando fui para o procedimento cirúrgico, já me sentia curada, agradecida pelo processo. Mas não consegui sentir isso antes. Lutei muito contra. O que aconteceu depois? Emagreci 7 kg, consegui mudar hábitos alimentares, uma nova consciência surgiu. Tudo isso foi um grande processo de autoconhecimento. Gratidão eterna às minhas pedrinhas.

Somos gratos à vida “na alegria”, mas “na tristeza”, viramos as costas para a energia de gratidão.

Na doença afloram sentimentos escondidos, medos. Você já percebeu os pensamentos que surgem, as reflexões? Como você se torna outra pessoa depois de um momento de dificuldade? Um salto quântico acontece. Surge o novo. O seu novo. Véus vão embora e um pouquinho daquele mar de inconsciente se torna consciente e você se conhece um pouquinho mais. Fica mais maduro, amoroso, experiente.

Quando surgir um estado de gratidão para todos os altos e baixos, você vai estar acolhendo a vida ao invés de lutar contra ela. Poderá aproveitar o aprendizado pertinente a cada momento e terá muito mais fôlego para caminhar e chegar a cura e a liberdade que ela representa.

E você, como tem passado os seus momentos difíceis? Quais suas maiores dificuldades hoje?

Se você gosta de saber sobre as maneiras que o inconsciente se expressa, ou seja, o estudo de percepções irracionais, te convido a participar da Web Série Mulheres Intuitivas >>INSCRIÇÃO PARA WEBSÉRIE<<

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Bia C Rossi
Sou Mãe, terapeuta, eterna buscadora do mais profundo do meu ser. Como neta de uma linhagem de benzedeiras e de espíritas, fui criada vendo o poder do invisível, o que me motivou a buscar entender o que está por trás das coisas. Da faculdade de Biologia ao estudo da Medicina Chinesa, filosofia, física quântica e Psicologia junguiana, meus caminhos me levaram a investigar a habilidade de enxergar além, o que culminou no meu propósito, entender como a intuição acontece e despertar essa força que leva a essência do que sou. Nessa caminhada fundei os projetos: Jung na Prática, Mulheres Intuitivas, Start Intuitivo e Biologia da Intuição, onde, juntos, seus conteúdos já impactaram mais de 100.000 pessoas nas redes sociais, congressos, palestras. Neles me dedico a estudar e ensinar mulheres e terapeutas a reencontrarem sua sabedoria intuitiva.

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito bonita esta passagem da sua vida, em que crenças foram derrotadas e você se submeteu à cirurgia. Quantas crenças devem ser trituradas, tal como corpos estranhos, que impedem o pleno fluxo da energia em nossas vidas. Gratidão pelo compartilhamento desta experiência.

  2. Olá,
    Excelente reflexão. Passei por um processo bem difícil na saúde, fiz um transplante cardíaco há 2anos e meio, o que me levou a grandes reflexões e contato comigo mesma e com a espiritualidade. Consegui enfrentar todo esse processo e aprendi muito. Todos diziam que eu ia mudar ( brincando) mas na verdade mudei e muito, graças a Deus. Mudança de valores e um novo olhar para a vida e para as pessoas. A doença causa sofrimento, dor mas nos recompensa com o aprendizado! Isso não tem preço!!

  3. Bom dia Bia,
    Hoje está fazendo exatamente 18 dias que fiz a retirada das duas pedrinhas que adoecia minha vesícula, agora neste momento confirmo a sua fala, estou bem mais leve e com um grande sentimento de Gratidão pela vida, tudo fez eu rever meus conceitos e criar novas possibilidades para uma qualidade, mais plena com as benção que a vida nos dá. Gratidão.

  4. Excelente texto, Bia!
    Quantos aprendizados somos capazes de perceber nos nossos altos e baixos!!
    Muito grata pela partilha. Aprendamos, cada dia mais, a amar a jornada.

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