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O Filme Jornada da Alma e as Mulheres Alicerces de Freud e Jung

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O filme retrata a história de Sabina Spielrein, uma jovem russa de 19 anos que no decorrer da sua vida desenvolveu episódios de espasmos musculares, delírios, impulsos suicidas e preocupados com o seu bem estar seus pais a levaram para um Hospital Psiquiátrico Burgholzli, em Zurique.

Ao chegar ao local Sabina foi logo acorrentada, e tratada de forma desumana.

O Dr. Jung vê a possibilidade de testar pela primeira vez os métodos que aprendeu com o Dr. Freud, e contrariando as regras do Hospital, retira as correntes dela e inicia uma difícil conversa com Sabina.

Após muita negação Sabina começa a perceber em Jung que pode ser compreendida, o que por sua vez, com muita delicadeza, aplica a técnica de associação de palavras e analisa os sonhos de Sabina, que passa os seus medos e delírios.

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O filme mostra de forma clara a relação médico-paciente, mostrando o lado humanístico.

Essa fica evidenciada quando, durante a noite, Jung sonha que Sabina fugia e ao despertar, de forma abrupta, vai ao quarto de Sabina e descobre que ela não estava lá, ao sair do Hospital encontra Sabina próxima a um poço brincando com argila.

Após reclamar com Sabina, Jung a convida para uma sessão fora do Hospital, onde a leva na manhã seguinte para um restaurante e lhe entrega o seu diário para que ela saiba um pouco mais da sua história e do que ele pensa; Sabina revela a Jung que se masturba frequentemente e ele revela que todos fazem isso, outros clientes que estavam no local ficam chocados, nesse momento Sabina começa a ingerir alimentos dado por Jung.

Ema, esposa de Jung, vê quando ele alimenta sua paciente. Ao chegar em sua casa Jung encontra uma grande quantidade de doces, tortas e guloseimas para a sobremesa, entendendo que sua esposa soube de sua ida ao restaurante.

Jung resolve se afastar do hospital por alguns dias, ao retornar Jung descobre que Sabina tentou suicídio e a encontra acorrentada por ordem do diretor do hospital.

Jung ordena que a solte, Sabina afirma que ele é um traidor e que ninguém a ama, ele justifica sua ausência informando que estava prestando serviço militar que é obrigatório e que a partir daquele momento somente ele vai cuidar dela.

Sabina entrega o seu diário a Jung onde esta escrito o seu testamento deixando para o Doutor a sua cabeça e pediu que o restante do seu corpo seja cremado, Jung responde dando a ela um pingente que simboliza a sua alma para que ela seja a guardiã.

A partir deste momento nota-se uma evolução considerável de Sabina que organiza uma pequena festa ao som de um piano, ela dança e canta com os outros pacientes e até com o diretor.

Após um período, Dr. Jung informa que, por conta da sua evolução, já não será mais preciso vê-la todos os dias passando a 2 vezes por semana.

Na sessão posterior Sabina pede a Jung que lhe conte seus sonhos para que ela possa inverter a situação, ele diz que não deveria concordar mas iria abrir uma exceção e lhe conta o sonho que teve, Sabina ouve atentamente e aplica a técnica de associação de palavras e interpreta que Jung tem medo de se comportar como potro dócil (assim como no seu sonho) quando Freud estiver por perto, ele responde que talvez.

Ela sugere que o sonho também pode ser reflexo de sua insatisfação em afirmar que seria sexual, Jung se constrange e pergunta se Sabina vê amor em toda parte, ela diz que é a força que governa o mundo, ao fim da sessão Jung olha para Sabina tocando a sua face com carinho em seguida pede desculpa e antes de ficar ainda mais intenso ela foge deixando ele confuso.

Após essa sessão, Jung encontra com Sabina numa exposição de artes e admira o mesmo quadro que Sabina.

Jung vai visitar Sabina em sua residência e é convidado a entrar, ele diz que soube que ela tinha se matriculado na faculdade de Medicina e a parabeniza.

Ele a presenteia com um livro e após um curto período de poucas palavras ele se entregam a paixão que toma conta de ambos.

Eles fazem sexo em vários locais, no consultório de Jung, em hotéis. Juntos vão a ópera e Jung chora de felicidade e revela que sua mãe dizia quando era pequeno: Que maldita felicidade!

Sabina então se empolga e diz que quer ter um filho dele ali e agora, ele fica chocado e diz que ela esta louca e a empurra saindo do local transtornado.

No dia posterior Jung escreve uma carta a Freud contando o caso de Sabina e pedindo ajuda sobre o que fazer.

Jung vai ao jardim para esculpir na pedra e após um descontrole ele começa a destruir a imagem.

Os pais de Sabina recebem uma carta anônima relatando o caso de Sabina e Jung.

Jung vai à casa de Sabina para romper de forma definitiva mas ela se descontrola e joga no chão as flores dadas por ele.

Sabina não aceita o rompimento e tenta beijá-lo mas Jung estava determinado a encerrar este caso, Sabina pega um tesoura e inicia uma briga que acaba cortando a mão de Jung.

Seguindo o conselho de Jung, Sabina vai a casa dele para tentar fazer amizade com Ema mas enquanto aguarda faz contato com o seu filho porém quando Ema chega ao local com passos firmes e postura segura, Sabina sai correndo da casa sob a chuva.

Após um momento de reflexão Sabina resolve invadir o ambiente de Jung e se apresentar como sua amante mas ao chegar no local muda de ideia e encarando um estranho próximo a Jung diz que veio para humilhá-lo mas queria que Jung soubesse que ela sempre o amará.

Jung volta para casa e em um ambiente formal janta com sua esposa que em dado momento começa a chorar e se retira da sala.

O restante do filme conta como Sabina se forma na faculdade de Medicina onde especializou em psicoterapia e se estabeleceu em Moscou.

Abriu uma escola para crianças que ficou conhecida por creche branca, porque os móveis eram todos brancos.

Desde o início, a Dr. Sabina colocou em prática tudo que sabia sobre educação infantil. Era uma escola avançada para aquele tempo. Seu lema era dar as crianças toda liberdade possível.

Um dos alunos era muito violento e batia sempre nas outras crianças. O menino estava registrado com um nome falso. Só mais tarde se descobriu que era filho de Stalin. Após a morte de Lenin, a Rússia começou a desmoronar, então Sabina enviou uma carta a Jung contando como se sentia, em seguida Sabina recebe a visita de um militar informando que o seu livro foi censurado.

O encontro de Sabina e Jung exemplifica a transferência e contratransferência e sua importância em toda forma de terapia, em especial, na psicanálise.

No filme, a situação é levada ao extremo, já que ambos se apaixonam. Sabina tem conhecimento do casamento de Jung, que sabe das implicações éticas de um romance entre um analista e um cliente.

Há uma cena interessante em que Sabina reage com uma tentativa de suicídio, ao sentir-se traída por Jung, que se ausenta por alguns dias, tendo deixado em testamento, a própria cabeça para que ele a dissecasse.

Em agradecimento, Jung lhe presenteia com um seixo que representa sua alma. O encontro de Sabina e Jung exemplifica a transferência e contratransferência e sua importância em toda forma de terapia, em especial, na psicanálise.

O meio psicanalítico do século passado era tão machista e injusto com as mulheres. Que se dependesse de mim e tivesse um “poder acadêmico proeminente nesse país” faria um MEA CULPA por todas elas.

Assim como foi feita a Psicanalista e Escritora Renata Udler Cromberg, no Livro exorcizante: Sabina Spielrein – uma pioneira da psicanálise.

As Mulheres Alicerces de Freud e Jung

A visão que a grande maioria das pessoas que assistem “filmezinhos” como Janela da Alma e Método Perigoso, é que ela era uma Histérica, Delirante, Tarada, Vagabunda e Desvirtuou o Santo Dr. Jung.

A história, digo, a verdadeira história, não é bem essa.

Sabina tinha sim uma patologia, e Jung não era nada santo, quando Sabina se estabilizou e seu amor que era real não foi correspondido, ele se atracou da mesma maneira com a Toni Wolff.

Problema não era “só” a Sabina, o problema estava com Jung.

Eu amo as mulheres, e meu coração pulsa por essas guerreiras da psicanálise de outrora.

Deixando nossa Sabina por último, temos EMMA JUNG (que mesmo sabendo dos adultérios de Jung, continuou com ele e se tornou analista, escreveu ANIMA E ANIMUS), TONI WOLFF (2a. amante de Jung, Co-fundadora do Clube de Psicologia de Zurique), MARIE-LOUISE VON FRANZ (braço direito de Jung, escreveu 20 livros, é autora de C.G.Jung – Seu mito em sua época), ANIELLA JAFFE (editou Memorias, Sonhos e Reflexões), BARBARAH HANNAH (autora da biografia Jung – Sua vida e sua obra).

Temos ANNA FREUD, uma leiga (sem psicologia e sem medicina). Revolucionou a America na Psicanálise com crianças e educação.

Temos MELANIE KLEIN, outra leiga (sem psicologia, sem medicina) que revolucionou Inglaterra com Psicanálise infantil, sendo professora de Psicanálise, veja você, do médico pediatra Donald Winnicott e Wilfred Bion.

Incrível não é? Como médicos se submetem a ter aulas com uma senhora britânica que não tem graduação nenhuma?

Se Klein ou Anna Freud entrassem na Unip, USP ou PUC hoje seriam convidadas a serem o que? Serventes? Cantineiras? Quanta hipocrisia.

Sem contar com nossa maravilhosa NISE DA SILVEIRA e ELIZABETH ROUDINESCO.

Essa imagem acima é real e foi achada na mudança em Genebra, todas manuscritas de Jung, Freud e Sabina. Como diz Renata é um achado arqueológico da Psicanálise.

Genebra, outubro de 1977. Um maço de documentos resgatados nos porões do Palácio Wilson, que no passado abrigara o Instituto de Psicologia, trouxe à luz detalhes de uma das tramas mais fascinantes do período nascente da psicanálise.

Foram encontradas 46 correspondências do psicólogo suíço Carl Jung, 21 do vienense Sigmund Freud e 12 da até então pouco conhecida Sabina Spielrein – além de partes de seu diário íntimo entre 1909 e 1912.

Mas voltando pra Sabina Nikolajevna Spielrein que nasceu na Rússia, em 1885.

Aos 19 anos, foi internada pelos pais no Instituto Burghölzli, onde Carl G. Jung tratou-a com a técnica de associação livre.

O relacionamento entre os dois se aprofundou e tornaram-se amantes, ficando juntos até 1910.

Formada em medicina – psiquiatria foi a SEGUNDA MULHER a ser admitida na Sociedade Psicanalítica de Viena, cujos membros faziam parte do círculo íntimo de Sigmund Freud.

A pedido de Freud foi requisitada a presidir após a saída de Jung (0 1º Presidente) a IPA, mas impedida, por machismo, ciúme, ou inveja por um “fulano de tal” chamado Ernest Jones. Esse brigou com muita gente, barrando inclusive Wilfred Bion.

Publicou 30 ensaios psicanalíticos e sua obra trouxe contribuições importantes para temas como esquizofrenia, psicanálise infantil e as origens da linguagem e do pensamento.

Foi a primeira a propor um componente destrutivo da sexualidade humana, conceito que deu origem à pulsão de morte de Freud.

Mesmo assim, sua obra ficou esquecida de 1930 a 1992.

No cinema, como já pincelamos, ganhou destaque em filmes como Jornada da Alma (2002) e Um método perigoso (2011), mas teve nesse último seu papel como pensadora e analista completamente ofuscado pela figura da amante e histérica.

A publicação do primeiro volume do livro Sabina Spielrein – uma pioneira da psicanálise, organizado pela psicanalista Renata Udler Cromberg busca resgatar as importantes contribuições de Sabina com a primeira edição brasileira de suas obras completas.

Anteriormente limitada a uma nota de rodapé escrita por Freud em ‘Além do princípio do prazer’, e inicialmente estigmatizada como apenas uma discípula do mestre Jung, além de ligeiramente desqualificada por ser mulher e por ter estado em intenso sofrimento psíquico, teve seus textos publicados em destacadas revistas de psicanálise, mas isto não foi suficiente para o reconhecimento do seu aporte conceitual à psicanálise.

Tampouco do significativo lugar que ela ocupou num momento de construção e de expansão da psicanálise.

A publicação de Sabina Spielrein – uma pioneira da psicanálise, livro híbrido de obras completas, biografia intelectual e edição crítica, vem preencher a lacuna que ainda existe.

Neste 1º volume, organizado, anotado e com textos críticos da psicanalista Renata Udler Cromberg, encontramos alguns de seus textos – Sobre o conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia, o relato minucioso do tratamento de uma paciente atendida por ela em Burghölzli; A destruição como origem do devir, sobre o componente de morte contido na pulsão sexual, texto que antecipa o conceito da pulsão de morte de Freud; e A sogra, sobre filiação e a maternidade como eixos centrais da constituição do feminino.

Também uma carta de Sabina a Carl G. Jung, de 1917, expondo sua concepção do aparelho psíquico. Enfim…

Só digo uma coisa pra finalizar.

Sabina foi A ÚNICA QUE SABIA E CONHECIA AS REAIS VERDADES E PODRES de Freud e Jung.

Pra finalizar: Eu creio que se Sabina tivesse vivido tanto quanto Nise da Silveira, ou Marie-Lousie, ou seja, não tivesse sido covardemente assassinada, a Psicanálise teria tomado outro rumo. Porque Sabina Spielrein era a Terceira Força, Terceira Coluna da Psicanálise.

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Bibliografia:

FAENZA, Roberto – Jornada da Alma – Meduza Distribuzione, 2002;

CROMBERG, Renata – Sabina Spielrein – pioneira da psicanálise – ILUMINURAS, 2014;

 

2 COMENTÁRIOS

  1. O ser humano, é complexo.
    Mentes q vertem ,Amor … implorando compaixão.
    Mesmo assim …onde as mulheres com seus dons Maternais… são objetos de segunda categoria.

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