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Como Treinar o Seu Dragão

1994
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Como Treinar o Seu Dragão I e II – Sob o Enfoque Junguiano

Os estudos psicológicos postulados por Carl Gustav Jung (1875 – 1961) incluíram a análise dos contos de fada e dos mitos, pois estes apresentam aspectos do desenvolvimento humano de maneira simbólica.

Entretanto, é possível fazer o mesmo tipo de análise ou estudo com relação a filmes e animações, que são mais próximos do público em geral.

Embora sejam tão atuais são os mesmos velhos arquétipos que estão sempre presentes na história humana. Os arquétipos estão atuando em toda e qualquer obra cinematográfica, literária, artística.

Quando assisti pela primeira vez, pois o fiz várias vezes, “Como Treinar O Seu Dragão” não só observei a bela produção como o conteúdo simbólico que é fantástico. E a segunda produção é tão fantástica quanto e complementar à primeira.

ALERTA: se não assistiu a essas animações sugiro que assista antes de ler esta publicação. Deixe-se levar pela história, sinta-a dentro de você, no seu imaginário. E só depois leia o restante do texto.

São duas histórias que podemos utilizar no trabalho terapêutico com leveza e aliada a muita profundidade.

Nesse artigo teremos:

Vamos a um resumo dos dois.

Como Treinar o Seu Dragão





Soluço é um adolescente, órfão de mãe e filho do chefe da aldeia viking – Stoico. Ele não tem nenhum atributo que o caracterize como viking, tal como ser corpulento, guerreiro, forte, lutador. Pelo contrário, é franzino e gosta de pesquisar e criar máquinas.

Ele também é um verdadeiro trapalhão e deixado de lado por todos. E quando lhe atribuem alguma tarefa, são aquelas mais inexpressivas.

Ele constrói uma arma para capturar dragões (vistos como inimigos dos vikings) e consegue apanhar um dragão importante, o qual ainda ninguém viu – o Fúria da Noite.

Mas ninguém percebeu, exceto a grande destruição que ele causou na vila com seu jeito desengonçado.

Na manhã seguinte ele vai à procura do dragão abatido. Percebe que ele está ferido e imóvel. Ele teria que matá-lo para provar que podia se tornar um viking, mas não consegue. E a partir daí desenvolve um relacionamento afetivo e estreito com o dragão que batiza de Banguela.

Esta estreita amizade o leva a conhecer realmente os dragões, e, a perceber que eles são criaturas incompreendidas.

Durante boa parte da animação observamos o desenvolvimento do relacionamento de Soluço com o Banguela e também com outros dragões.

Como a sua arma amputou parte da calda do Banguela, e este não podia mais alçar voo, Soluço passou a esquematizar e a construir um aparato que resolvesse a situação, e finalmente conseguiu. Então passou a montá-lo e a fazerem voos fantásticos sobre Berk e os arredores.

Bocão, um dos guerreiros e muito amigo de Stoico, está convencido que Soluço pode aprender a ser um viking desde que participe do curso sobre matar dragões.

A partir de seu conhecimento e entendimento sobre os dragões, Soluço passa a “lutar e derrotá-los” de maneira nada agressiva e acaba se destacando, e atraindo a curiosidade de Astrid, a garota mais bonita e com maior destreza natural para lutar contra os dragões até então.

Soluço sempre dava umas boas escapadas para viver suas experiências com Banguela. E após algumas tentativas frustradas Astrid conseguiu encontrá-lo com o Banguela.

Ela ameaça contar a todos o que descobrira, mas por meio de uma manobra Soluço, montado sobre o Banguela a levam para um voo espetacular.

Mas durante esse voo acabam descobrindo onde ficava o ninho dos dragões e perceberam que os dragões eram obrigados a caçar e levar a comida para o dragão chefe, que é enorme, e se não levam uma quantia considerável eram devorados pelo líder.

Regressam e decidem manter tudo em sigilo.




 

Chega o momento da prova final no treinamento para se tornar um viking caçador de dragões – rito de passagem. Mas algo sai errado e o Banguela acaba indo ao socorro de Soluço, mas é aprisionado e feito refém pelo pai do Soluço. Quando o pai entende toda história contada por Soluço fica muito bravo e indignado.  Soluço é renegado como filho e como viking. Stoico amarra o Banguela na embarcação que levará um grande número de guerreiros, pois descobriu que através dele seriam guiados até o ninho dos dragões.

Partem para sua missão enquanto Soluço apenas observa no topo do penhasco. Astrid vai ao seu encontro e escuta as lamentações de Soluço, de sua tristeza por tudo que causou a todos e ao Banguela.

Sente-se totalmente impotente. Confessa à Astrid que quando encontrou o dragão não pode matá-lo, pois ao mirar em seus olhos viu a si mesmo.

Ele diz que queria fazer tudo diferente e que só fez coisas erradas. Mas Astrid consegue acordá-lo das lamentações dizendo que ele conseguira ser diferente e por que não tentar mais uma loucura.

Então, Soluço convoca os colegas e os ensina a lidar com os dragões de modo seguro. E todos, montados em seus dragões partem para o ninho dos dragões.

Os aldeões ao vê-los se surpreendem e ao perceber o que poderiam oferecer ganham confiança, que já tinha sido minada ao se depararem com o líder dos dragões.

A embarcação que Banguela está amarrado é atingida e afunda. Soluço tenta desesperadamente salvar o amigo, mas desfalece na tentativa. Stoico o resgata como também ao Soluço.

Então Soluço e Banguela vão ao encontro do grande líder, auxiliados por seus colegas e dragões e travam uma grande batalha.

Através de uma manobra muito perigosa Soluço e Banguela, acertam mortalmente o dragão, mas por rebote são atingidos e despencam. Todos pensam que morreram.

Stoico se aproxima do Banguela; percebe que está muito ferido e lhe pede desculpas sinceras e emocionadas. Então Banguela abre suas asas e todos percebem que Soluço está a salvo, embora tenha perdido um pedaço do corpo.

Soluço acorda em seu quarto e Banguela está brincando e pulando pelo quarto. Ao sair da cama Soluço percebe que perdeu o pé e que está com uma prótese e para caminhar se apoia em Banguela e vão até a porta.

Quando abre vê que Berk está mudada. Os dragões e as pessoas vivem e se divertem em total harmonia. Todos se aproximam dele e o parabenizam e Bocão traz uma nova prótese para Banguela.

Astrid dá-lhe outro beijo após um tabefe, e fica implícito o afeto entre ambos. Soluço e seus colegas saem para um voo, e demonstra que Soluço não só restabeleceu a paz em seu vilarejo como também seu próprio valor.

Como Treinar O Seu Dragão II

Nesta sequência Soluço, agora um jovem adulto, começa relembrando os tempos em que os dragões eram inimigos e agora todos vivem em harmonia e com muita diversão. Soluço conclui que com os vikings montando dragões o mundo ficou bem maior.

Soluço está num voo com Banguela quando caem em uma ilha desconhecida. Astrid chega. Ele diz a ela que Stoico está orgulhoso dele e ela responde que ele está orgulhoso de si mesmo. Mas embora vejam Soluço como um sucessor e líder, ele mesmo não se vê assim.

Ele ainda está se descobrindo, sabe que não é como o pai, e por não ter conhecido a mãe não sabe quem é. Astrid diz a ele que o que ele procura não está lá fora e sim dentro dele.

Avistam outra grande formação rochosa e vão até lá. Pelo caminho observam uma paisagem desértica, árida, e chegam a uma vila na qual encontram caçadores de dragões, liderados por Eret que estão a serviço de Drago.

O dragão de Astrid é abatido, mas eles conseguem fugir e retornar para Berk. Soluço fala com o pai sobre o ocorrido e tenta convencê-lo de ir falar com Drago e manter a paz. Mas o pai só entende de guerra.

Soluço e Astrid partem para sua missão de paz e há tentativas de demovê-lo da ideia. Mas apesar de tudo ele segue em frente.

Então se depara com uma figura verde que o torna refém e Bengala cai e fica preso em águas geladas, mas é salvo por outro dragão que o leva para onde Soluço está.

Soluço pensa que a figura verde é Drago e acaba descobrindo que é a sua própria mãe (Valka).

Seu pai sai à sua procura. Enquanto isso Soluço segue sua mãe pelo ventre escuro da montanha e acaba saindo num vale repleto de dragões que vivem livres e felizes, e, deduz que há 20 anos sua mãe salva dragões.

Ela se aproxima do Banguela e ele a aceita com alegria e constata que Soluço e Banguela tem a mesma idade. Soluço conta tudo que se passou em Berk.

Ela não acredita e lhe conta o que aconteceu enquanto ela ainda vivia em Berk. Que sempre lutou para que parassem as guerras contra os dragões.

Mas numa noite, um grande dragão se aproximou do berço em que Soluço estava e, embora ela temesse por sua vida compreendeu que o dragão era um ser inteligente e gentil cuja alma refletia a dela.

Nisso Stoico entra e ela é arrebatada pelo dragão. Ela relata que Stoico e Soluço poderiam ter morrido por ela ter sido incapaz de matar o dragão. Fato com o qual Soluço se identifica.

Valka refere que Pula Nuvem, o dragão que a arrebatou, jamais quis machuca-la e a levou para o lar da grande Besta Implacável, o dragão alfa, o rei de todos os dragões que com seu sopro de gelo construiu o ninho em que todos os dragões vivem em segurança.

Nesse tempo, Astrid convence os demais a irem atrás de Soluço, contrariando as ordens de Stoico. Regressam à vila de caçadores e sequestram Eret para que ele os leve até Drago.

Valka e Soluço conversam, voam em seus dragões e mostram suas habilidades. Valka percebe que o filho pensa como ela e que ambos possuem um dom.

Pede uma chance à Soluço e deseja ensinar-lhe tudo que aprendeu nesses 20 anos. Ela diz a ele que é isso que são: aqueles que mudarão o mundo salvando os dragões.

Astrid e os outros chegam à vila de Drago e são feitos prisioneiros. Drago quer atacar o Ninho dos Cavaleiros, derrotar o dragão alfa e depois tomar Berk.

Stoico encontra Soluço e quer tirá-lo da ilha; Soluço tenta falar sobre a mãe, mas como sempre, Stoico não lhe dá muita atenção, até que se depara com Valka.

Astrid, Eret e os outros conseguem se safar de Drago. Eret foi salvo por um dragão e lhe retribui salvando sua vida.

Soluço, Stoico, Valka e Bocão se confraternizam e se mostram uma grande família. Stoico pede a Valka que retorne com ele para Berk e se casem novamente. Ela fica muda olhando para ele. Então Bengala a empurra para Stoico e ela acaba dizendo sim.

Segue-se então o ataque de Drago e todos lutam. O Alfa aparece e Drago faz surgir seu enorme dragão que vem do fundo das águas do mar.

Drago vai matar Valka e Stoico aparece e luta com ele. O dragão de Drago vence o de Valka; depois faz com que os outros dragões se submetam a ele, e sai em perseguição à Valka e Stoico a salva.

Então Soluço enfrenta Drago tentando convencê-lo que dragões são boas criaturas. Drago em contrapartida mostra suas cicatrizes em lutas (perdeu o braço esquerdo).

Drago diz que jurou enfrentar seu medo de dragões e acabar com eles (dragões matam dragões) ao que Soluço retruca que Drago usa dragões para controlar pessoas.

Drago, então, faz com que o novo alfa – Besta Implacável, controle Banguela e que este ataque Soluço. O pai se interpõe e recebe o golpe de fogo e fatal do Banguela.




 

Banguela sai do transe e vai se aproximando sem entender o que aconteceu, e Soluço o expulsa dali. Valka diz que Banguela não teve culpa e diz “dragões bons controlados por pessoas ruins fazem coisas ruins”.

Nisso Drago prende e controla Banguela e se dirige para Berk.

O funeral de Stoico é feito à maneira viking. Soluço pede desculpas ao pai. Diz que não é o líder que ele queria que ele fosse, nem o pacificador que pensava ser.

A mãe então lhe conta que ele nasceu prematuro, muito frágil e que ela não acreditava que ele sobreviveria, mas que o pai jamais duvidou afirmando que ele seria o mais forte e poderoso de todos.

E ele tinha razão.

E Valka diz: “Você tem o coração de um líder e a alma de um dragão. Você é o único que pode unir nossos mundos. É quem você é, meu filho”.

“Eu tive medo de ser como meu pai, principalmente por pensar que não conseguiria. Como me torno alguém tão magnífico? Tão corajoso? Tão Altruísta? Acho que podemos apenas tentar. Um líder protege seu povo. Vamos voltar.”

E assim Soluço e todos os outros voltaram a Berk montados em dragões que sobraram – os bebês, que não podem ser controlados pelo alfa.

Em Berk os dragões são atraídos pelo alfa e Drago assume o poder, dizendo ao povo que o líder deles morreu.

Soluço chega à Berk. Drago montado no Banguela, enfrenta Soluço que está montado num dragão bebê e procura tirar Banguela do transe dizendo que ele não é culpado pelo que aconteceu, pois estava sendo controlado e apela para o fato de serem amigos.

“Eu e você, como um.”

Neste momento vemos que Banguela revela todo o seu potencial, seu poder, sua força.

Eles lutam contra Drago e o alfa. Banguela desafia e vence o alfa, tornando-se o novo alfa. E Soluço se torna o novo líder de Berk.

Escrito e dirigido por Dean Deblois baseado na obra de Cressida Cowell “Como treinar o seu dragão” book series, realizado pelo Dreamwors animation LLC, 2014.

Desenvolvendo os Conteúdos Psicológicos

No primeiro filme vemos um adolescente com um pai exigente e desejoso de que o filho se torne um viking que possa sucedê-lo.

Mas este pai não aceita o filho como ele é: frágil fisicamente, sensível, introvertido e com seus próprios interesses, por isso não o valoriza e o ignora muitas vezes.

Soluço procura ludibriar a todos para ser aceito como alguém respeitável no vilarejo.

No final, apesar de todos os problemas, confusões e frustrações ele consegue ser aceito exatamente pelo que é.

O encontro com o dragão fez com que Soluço se visse: eu e ele não somos compreendidos e, portanto não aceitos.

O Banguela foi seu espelho e sua sombra, mas a parte sombria que vale ouro. Aquilo que era rejeitado, mas que longe de ser um defeito, uma falha, era uma qualidade.

E foi Astride (representando sua Anima) que o ajudou a assumir-se de vez, fazendo dar o grande salto no seu encontro consigo mesmo.

Como em toda e qualquer história, seja real ou ficcional, aqui nos deparamos com a saga do herói: sua conquista – a conquista de si mesmo, aceitando sua sombra e sua contraparte (anima ou animus) e adequando-se a ela, e, consequentemente, tirando o melhor partido delas.

Soluço nos apresenta os caminhos que trilhamos em busca do nosso verdadeiro eu: ousando, experimentando, criando e por que não driblando os obstáculos.

Ele usou sua sensibilidade e inteligência para seguir seu “chamado interior”, sua vocação.

Compreendeu que aceitando suas limitações e diferenças (frente ao grupo e cultura) estaria em paz consigo mesmo. Superou seus traumas advindos das críticas e ridicularizações pelas quais passou.

É divertido e emocionante ver o personagem acreditar em seus sonhos e fazer o que ninguém ousava fazer: compreender e amar seu opositor, inimigo, divergente – seu interior projetado.

Soluço e Banguela são os dois lados de uma mesma moeda, Yang e Yin, o todo, o Self. O humano e a fera em nós!

De maneira leve e até infantil vamos acompanhando o crescimento desse autoconhecimento vivenciado por elementos externos (Soluço e Banguela) de modo a sentir a beleza das realizações e as dores, frustrações e perdas que advém das próprias conquistas.

Observamos que frente aos piores momentos, mesmo demonstrando fraquezas e inseguranças ele segue seu coração e valores.

É muito emblemático observar ao final que Soluço e Banguela estão mutilados de maneira semelhante, o que me leva a pensar no mito de Quíron – o Curador Ferido.

Ambos foram mutilados de maneira a impedir que pudessem desfrutar o mundo da melhor maneira, mas foi exatamente isso, a mutilação, que os levou a superar suas dificuldades e se tornarem vetores de mudança tanto a caminho do próprio desenvolvimento e engajamento com o mundo que os cercava como promoveu o crescimento emocional de todo o vilarejo.

Houve a união dos opostos e complementares, e todos passaram a viver em harmonia.

Mas como se sabe, após a união dos opostos que carrega em si uma paz e harmonia dentro do nosso eu, isso não pode ser manter ad infinitum.

Este estado irá encontrar outro estado ou situação que se oponha a ele, também complementar, e é através desse processo que o indivíduo caminha para sua individuação: término – transformação sempre!

Então, Soluço amadureceu. Diferenciou-se da figura paterna e assumiu-se como indivíduo diferenciado, valorizado, confiante, autônomo e independente.

E nessas voltas que o mundo dá ele encontra a figura materna que acreditava morta. Percebe-se carregando muito dos valores e afetos dela.  E ela quer transmitir a ele todo o seu saber em lidar com dragões.

Com isso Soluço começa a conscientizar-se e a superar seu Complexo Materno Negativo, ou seja, às inúmeras ideias carregadas de sentimentos envolvendo experiências com a figura materna e o arquétipo materno, que neste caso foi a ausência da nutrição emocional sem cobranças, a atenção, proteção e amor, não por rejeição, mas por ausência da figura materna.

Este Complexo tem como consequência, normalmente, uma sensação de que não se é bom o suficiente e que nada virá sem grandes esforços.

Há muito medo de separações e perdas levando a apegos desmedidos a pessoas, situações, comportamentos e objetos.

O pai de Soluço o encontra e reencontra a esposa perdida e se sentem uma família completa novamente, graças a um empurrãozinho dado por Banguela (o lado instintivo e dividido entre os três personagens).

Mas aí temos que nada permanece na calma e uma nova batalha se apresenta entre afetos e desafetos, entre dragões bons e maus tendo um inimigo humano por trás dos dragões maus.

Na verdade os dragões maus são as energias mais instintivas e sombrias mal dirigidas ou canalizadas de cada um de nós, que seguem orientações e conselhos de nossos Complexos Negativos (vivências e sentimentos que ao logo da vida vão se agregando e se tornando uma estrutura autônoma que nos leva a sentir ou a nos comportar de maneira impensada, e, muitas vezes destrutiva ou autodestrutiva).

Com a frase: “dragões bons controlados por pessoas ruins fazem coisas ruins”, a mãe de Soluço resume bem a questão.

E vemos que todos os envolvidos são levados pelo Complexo Negativo que acaba na submissão do Banguela, à morte do pai de Soluço e à raiva e a falta de perdão de Soluço por Banguela.

No funeral de seu pai Soluço inicia um diálogo que mostra, novamente, sua frustração com relação a si mesmo e quanto decepcionou o pai.

Ou seja, na ausência de Banguela (retorno ao mundo da Sombra) ele se desconecta de seu próprio valor. E da mesma maneira que Valka, a mãe dele, no papel da Anima Positiva (a parte feminina que acolhe e revitaliza) lhe diz:

“Você tem o coração de um líder e a alma de um dragão. Você é o único que pode unir nossos mundos. É quem você é, meu filho”.

Novamente, encontramos aqui a Coniunctio ou União dos Opostos levando Soluço a nova integração. Sim, nova, pois antes ele não se via como um líder embora já o fosse.

Voltam ao vilarejo e descobrem que ele está dominado pelo inimigo que disse a todos que o líder estava morto (Stoico).

E Soluço usa, para retirar o controle hipnótico que age em Banguela, recurso que acolhe, nutre e une dizendo: “Eu e você, como um.”

E Soluço vence seu opositor e Banguela também. E os dois serão lideres em relação aos seus iguais, amadureceram e tornaram-se adultos completos e individualizados.

Conclusão

A saga desta animação nos mostra de maneira artística e simbólica os caminhos do crescer da consciência, do Ego, libertando da Sombra o que é luz, usando seus parceiros internos (Anima ou Animus) para lidar com seus conflitos, sentimentos e afetos.

Tornar-se o que realmente é tendo a consciência que, muitas vezes, em seus limites e fraquezas (Sombra) encontra-se a força que levará a grande transformação mediante o encontro de si mesmo.

Por Anyara Menezes Lasheras

Dica



1 COMENTÁRIO

  1. Gostei muito da análise comportamental dos personagens, se é que posso chamar assim, vou assistir com cuidado o filme, como treinar o seu Dragão, é observar o que foi dito.
    Obrigada pela orientação.
    Raquel

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