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Astrologia Psicológica: Simbolismo, Potência e Liberdade

A diferença entre a astrologia simbólica e determinista. Um exemplo da potência do feminino no mapa e nos desafios de cada signo.

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A liberdade genuína parece estar no espaço entre determinismo e livre arbítrio – a potência da criação, onde penso ser o lugar da astrologia contemporânea. Potência no sentido filosófico de Spinoza e Nietzsche, que difere de poder.

As palavras potência e poder são polissêmicas, tem muitos significados. Em uma tradução filosófica, a potência é o que contém a possibilidade de vir a ser, um conjunto de elementos internos e externos que podem promover mudanças num ser. O poder seria a capacidade de mobilizar forças para conseguir algo, seja por direito, por controle ou influência.

Os planetas são símbolos, eles são a ponte entre a consciência e o inconsciente que estará sempre produzindo conteúdo para ser integrado na consciência. O símbolo é portador de um manancial de conteúdo inesgotável que aponta para um arquétipo planetário, este conta uma história no mapa natal em forma de mito pessoal.

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Podemos praticar hoje, uma astrologia voltada para a potência do símbolo. A astrologia simbólica, em contraponto com aquela que é apenas determinista, parece estar mais adequada ao nosso tempo. O praticante entende que, de um modo objetivo, não pode dar conta da totalidade da psique que o mapa representa. A análise mais ampla é condizente com uma astrologia que considera a abertura para o simbólico, para a potência e para a liberdade que ela manifesta.

Até a morte que é o mais certo dos destinos pode ser relativizada em um contexto simbólico: a morte de um amor, de uma amizade, de um projeto ou de uma fase de vida.

O arquétipo da morte é uma potência que está presente no mapa de nascimento e permeia toda a trajetória da roda da vida e a transforma de modo simbólico e subjetivo, construindo mais vida com o espaço para o novo.

Astrologia e Previsão         

Em comparação com os antigos astrólogos precisos em previsões no mapa pessoal, muito mais variáveis incidem nas nossas escolhas na modernidade e as oportunidades aumentam diante de um maior conhecimento de si, por isso, a astrologia contemporânea ao incluir a variável “nível de consciência” na análise do mapa, inclui a condição humana como um processo de construção que transcende o próprio mapa.

Carl Jung, aponta a importância da consciência na conquista da liberdade individual com a frase: “o que não enfrentamos em nós mesmos, encontramos como destino.”

A análise psicológica é condizente com uma astrologia que considera a abertura para o simbólico, para a potência e para a liberdade que ela manifesta.

Aceitar o destino como um potencial desafio criativo parece um lúcido exercício cooperativo com nossas aparentes tragédias pessoais. Quanto mais tentamos ser poderosos em relação ao destino mais frágeis ficamos.

É muito aflitivo para nós perceber que o planejamento é apenas uma ilusão, especulação e aposta num futuro que é um tempo que não existe. Então as questões na astrologia que envolve previsão e destino, são parte da nossa angústia e necessidade de controle frente o desconhecido. O controle é poder não é potência.

A Potência é Cooperativa 

O neurobiólogo chileno Humberto Maturana problematiza o uso do poder no âmbito das relações sociais e explica que a competição é uma invenção cultural. Para ele nos constituímos historicamente e biologicamente como humanos na cooperação, portanto, a competição é não biológica.

“Nós temos a biologia do compartilhar, e isso se nota na vida cotidiana. (…) O compartilhar é em nós um elemento que pertence à nossa biologia, não pertence à cultura. Pelo contrario, vivemos atualmente uma cultura que nega o compartilhar, porque estamos supostamente mergulhados na maravilha da competição” (MATURANA, 2006, p. 93).        

Os adeptos do evolucionismo de Darwin acreditam que a vida ocorre na competição, e está implícita aí a luta pelo poder, Maturana defende que nossa história enquanto ser humano e biológico não ocorre na competição, mas sim na conservação de certos modos de vida cooperativos e solidários, ou seja, a competição passa a ser pensada como uma invenção humana e cultural, na qual a emoção central resulta na negação do outro, não existindo assim, competição que seja plenamente sadia, a competição é sempre, constitutivamente, anti-social.  Hoje, essa concepção de Maturana é levada também para vertentes mais construtivas da educação não violenta, seguindo essa inspiração, podemos abordar a astrologia pela perspectiva solidária da potência em detrimento de uma astrologia do poder.

Na astrologia do poder, é possível cair na armadilha de tentar provar que astrologia “dá certo”, que é ciência ou não precisa ser científica, os astrólogos se sentem desafiados e estimulamos pela sociedade moderna como na antiguidade a oferecer respostas objetivas e previsões precisas, quer sejam favoráveis, alarmantes ou não.

Como explica Jung: “Ambas as áreas do conhecimento transformaram-se em ciências: da astrologia proveio a astronomia e da alquimia, a química… Os fatos psíquicos realmente importantes não podem ser constatados pelo metro, pela balança, proveta ou pelo microscópio. Eles são portanto (aparentemente) invisíveis ou, em outras palavras, devem ser constatados pelas próprias pessoas que possuem um sentido (interior) para os mesmos, tal como se deve mostrar as cores aos que vêem, e não aos cegos.”  (JUNG, 2011, p. 285)

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Quando tentamos submeter a astrologia com fatalismos, praticamos a astrologia do poder. A astrologia potente seria manifesta no simbolismo e nos desafios de recriar a realidade.                                                         

A Potência dos Arquétipos e seus Desafios em cada Signo                                                                                 

A lógica do poder ou da potência pode ser aplicada na leitura dos símbolos astrológicos. Podemos observar a potência da Lua em seus aspectos natais, por exemplo: transformar o afeto perturbador em força de ação. Como seria isso na prática? Entrar em contato com a potência do feminino em si mesmo, com o acolhimento, a receptividade, a maternidade, que são possibilidades de manifestar uma ação criativa a partir da experiência do arquétipo materno.

Quando vemos um adulto expressando as emoções com exagero e descontrole frente a uma criança que expressa naturalmente um afeto de raiva e frustração, podemos entender claramente a diferença entre potência e poder. E qual a origem disso?

Na infância geralmente não temos a oportunidade em lidar com a potência das emoções e sim com o poder e o controle que vem de fora. No exemplo desse adulto alterado, vemos a criança atrofiada dentro dele, a criança que ele foi e não teve acolhimento. A expressão do afeto do ser infantil toca no desconforto do adulto que não sabe como lidar com aquela emoção e se descontrola na violência física ou verbal.         

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A criança quando tem uma emoção de raiva, medo, vergonha, tristeza ou ciúme ela vai expressar, se for condicionada pela educação dos pais baseada no poder ela vai reprimir a expressão de seus afetos.

O adulto que manifesta a potência da própria lua vai espelhar para a criança esse acolhimento e tranqüilidade cooperando com ela, e seu exemplo fará com que essa criança no futuro lide melhor com suas emoções, de uma forma potente, criativa e transformadora. A potência cria e transforma, o poder tenta controlar, pois se sente a todo tempo ameaçado.

Uma mulher com uma lua no seu mapa natal desafiada (em quadratura) por marte ou plutão, por exemplo, pode usar o poder rivalizando com outras mulheres, tentando controlar os homens, sendo reativa no lidar com os desafios da vida ou pode entrar em contato com a potência de suas fortes emoções e fazer um trabalho interno transformador consigo mesma e com os outros. A potência é cooperativa, ela não rivaliza, colabora com a vida e ruma para o novo.

Vejo exemplo dessa configuração de lua no mapa de cirurgiãs, arquitetas, psicólogas e terapeutas em geral, mas o interessante é analisar o processo individual, existe uma potência de reforma íntima nessa lua. Essas mulheres que manifestam tal configuração lunar através de um trabalho, um ofício, não necessariamente mobilizam essa força em benefício de sua transformação pessoal.

A astrologia tem o mérito de apontar o símbolo para facilitar o trabalho de conscientização em um aspecto construtivo em relação a si mesmo e aos outros; Marte (Deus da Guerra) pode apontar para uma ação assertiva e consciente que está para além da violência e rivalidade e Plutão (Deus do submundo) pode apontar para o desapego e transformação nos ritos de passagem e não necessariamente para a destruição e poder.

Cada arquétipo (planeta) é uma potência que representa um signo (modo de expressão), assim como o exemplo do acolhimento da Lua (Câncer), os outros planetas em sua potência arquetípica apresentam desafios: de autoexpressão do Sol (Leão), de mudança em Urano (Aquário), do desapego em Plutão (Escorpião), de realização em Saturno (Capricórnio), de Expansão em júpiter (Sagitário), de inspiração em Netuno (Peixes), de ação em Marte (Áries), de harmonia em Vênus (Libra e Touro), e de comunicação em Mercúrio (Gêmeos e Virgem), eles apontam para um destino que pode ser construído, que quanto mais potente, mais criativo.

Existe um modo de abordar o mapa natal baseado na lógica da astrologia da potência que está em outra ordem de importância comparada à lógica do controle da astrologia preditiva; não é o que nos acontece, mas o que fazemos daquilo que nos acontece que traz o maior desafio.

É assim que podemos olhar para o mapa e já conseguirmos saber muita coisa sem ser um astrólogo. Eu montei um curso onde eu ensino a relação da lua simbólica na astrologia com o conceito de complexo da psicologia analítica. Se desejar saber mais, clique no link abaixo

>> Saiba mais sobre A lua Simbólica e os Complexos <<

REFERÊNCIAS

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. Vol XII OC. 5º ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

MATURANA, H. Cognição, ciência e vida cotidiana. Belo Horizonte: UFMG, 2006.

http://michaelis.uol.com.br

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