Análise de Filmes – Guardiões da Galaxia 2

Análise de Filmes – Guardiões da Galaxia 2

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Imagem produzida por Munerato para a análise de filmes do segundo filme Guardiões da Galáxia 2

Recordando à análise do primeiro filme, os Guardiões da Galáxia são: Peter Quill, Gamora, Drax, Rocket e Baby Groot.

Peter Quill é o líder dos Guardiões e é conhecido como Senhor das Estrelas. E é nele que o texto vai focar.

O filme inicia com a líder de uma raça alienígena chamada Soberana, Ayesha que contrata os Guardiões para impedir um monstro inter-dimensional de roubar valiosas baterias.

Peter já se estabeleceu como herói e líder e agora parte em uma nova etapa de seu desenvolvimento.

Após uma confusão os Guadiões acabam sendo perseguidos pelas naves de Ayesha, e acabam sendo salvos por uma misteriosa nave e logo descobrem que se trata de Ego, o Planeta Vivo. Ego se revela o pai de Peter.

Peter traz a marca clássica do herói solar: a dupla filiação.

O “duplo nascimento” corresponde àquele tema mitológico do herói, o qual considera que este descende de dois pais divinos e humanos. E o costume de dar ao recém-nascido, além de seus pais carnais, dois padrinhos de batismo, isto é, um godfather e uma godmother, como são chamados em inglês, cuja incumbência principal é cuidar do bem-estar espiritual do batizando. Eles representam o par divino, que aparece no nascimento anunciando o tema do “duplo nascimento” (Jung, 2008).

O herói solar costuma ser fruto do amor entre uma humana mortal e um alienígena, um ser imortal, vindo do céu.

A fecundação de uma mulher humana por um Deus, é um tema mitológico recorrente. A mulher é uma virgem escolhida para dar à luz ao herói, um semideus.

A virgem não significa virgindade física, mas sim aquela que não se casa, que é unificada em si mesma e tem papel próprio. Seu filho é um Deus, ou semideus que a precede.

A base da história do herói solar é o duplo nascimento. Primeiro ele nasce da mãe, e a assimila posteriormente, para depois nascer do Pai.

Conforme Campbell (2007), o herói tem o duplo nascimento. O segundo nascimento iniciatório seria por meio do pai. Quando o herói é morte e ressuscitado.

Os antigos e sangrentos ritos de passagem masculinos representam esse nascimento iniciatório pelo pai, onde os meninos saiam da casa materna para serem iniciados nos mistérios masculinos.

A morte e ressurreição de Tammuz, de Adônis, de Mitra, de Vírbio, de Átis e de Osíris são representantes desse mistério na Mitologia.

Na igreja cristã temos como exemplo a mitologia da Queda e da Redenção, da Crucificação e da Ressurreição, do “segundo nascimento” do batismo, da marca iniciatória no rosto quando da Confirmação [Crisma], da deglutição simbólica da Carne e da ingestão simbólica do Sangue, representando o mistério de forma solene e, por vezes, de modo efetivo, sendo assim unidos às imagens imortais da força iniciatória, através da operação sacramentai na qual o homem, desde o início dos seus dias na Terra, afastou os terrores de sua fenomenalidade e ascendeu à visão transfiguradora do ser imortal (Campbell, 2007).

A ideia central, portanto, da jornada do herói é o nascimento para o espírito. A espiritualização, a verticalização da vida cotidiana, da matéria, do corpo.

Conforme Neumann (1995) as fases de desenvolvimento da consciência passam pelos estágios matriarcal e patriarcal. Esses estágios arquetípicos são um fato transpessoal que domina a história da humanidade e do indivíduo.

Peter conhece seu pai Ego que o leva ao seu planeta, que é uma parte dele. Ele explora a sua origem celeste e descobre seus dons latentes.

Ego é um alienígena que assumiu uma aparência humana para viajar pelo universo e interagir com outras espécies, e assim conheceu e se apaixonou pela mãe de Quill, Meredith.

Após a morte da mãe, Quill foi criado por Yondu, que foi pago por Ego para sequestrar o menino, mas o mercenário nunca entregou o menino.

Aqui se observa o tema mitológico da dupla filiação do herói. O pai celeste (um Deus) e o pai humano. Em termos psicológicos representam o pai pessoal e o pai transpessoal.

Campbell (2007), aponta que uma das fases da jornada do herói é a “sintonia com o pai”.

Nesse momento da jornada o herói pode encontrar uma figura que representa a autoridade patriarcal. “Pai” e “filho” frequentemente são rivais pelo domínio do universo. Para entender o pai e, com isso, entender a si mesmo, o herói deve enfrentar e se reconciliar com essa figura de autoridade.

Quill aprende que também é um Celestial (raça alienígena do pai) e a manipular o poder que existe em si. Assim ele descobre em si a autoridade em transformar a sua realidade.

Ego revela a Quill que visitou milhares de mundos, onde plantou mudas de si próprio para transformá-los em extensões de si mesmo, contudo, elas só poderiam ser ativadas pelo poder de um segundo Celestial. Ele buscou criar esse ser, engravidando várias fêmeas. Porém, seus filhos não conseguiram acessar o poder Celestial como ele, então Ego os matou.

Aqui se apresenta a face sombria do Pai.

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A estrutura do “pai”, pessoal ou transpessoal, é dúplice como a da mãe: positiva e negativa. Na mitologia, há ao lado do pai positivo e criador, o pai negativo e destruidor. Ambas as imagens acham-se tão vivas na alma do homem moderno quanto estiveram nas projeções da mitologia (Neumann, 1995).

Assim como é necessário enfrentar a mãe terrível, o herói também precisa se confrontar com o lado sombrio da autoridade paterna.

Esse lado pode aparecer nos contos de fadas como o ogro devorador. Sobre isso Campbell (2007), diz:

“Pois o aspecto ogro do pai é um reflexo do próprio ego da vítima derivado da maravilhosa lembrança da proteção materna que foi deixada para trás, mas só depois de ter sido projetada, bem como do fato de a idolatria fixadora daquela inexistência pedagógica constituir por si própria a falta, no sentido de pecado, que nos mantém paralisados e que impede a alma potencialmente adulta de alcançar uma visão mais equilibrada e realista do pai e, em consequência, do mundo. A sintonia consiste, essencialmente, em levar a efeito o abandono do problemático monstro autogerado. O dragão que se considera Deus (o superego) e o dragão que se considera o Pecado (o id reprimido). Mas essa ação requer o abandono do apego ao próprio ego, e aí reside a dificuldade. Devemos ter fé em que o pai é misericordioso; assim, devemos confiar nessa misericórdia. Com isso, o centro da crença é afastado da tenaz apertada e escamosa do deus atormentador, e os ogros ameaçadores desaparecem.

Qill recebe o reconhecimento por parte do pai criador (quando Ego reconhece nele a mesma força que existe em si), e precisa enfrentar o lado sombrio em si mesmo, que consiste no enfrentamento da inflação do seu próprio ego.

Há uma tendência do ego humano em se identificar com os conteúdos do inconsciente coletivo, e assim inflar.

O poder transpessoal do pai pode causar uma separação da consciência com relação a realidade terrena, levando a um processo de dissociação do ego. Os deuses punem aqueles que se identificam com a divindade. Um exemplo clássico dessa inflação desastrosa é o voo de Ícaro.

Peter tem sucesso nessa luta, assassinando Ego. Após isso ele se reconcilia com Yondu. Assimilando os dois aspectos positivos e negativos do pai transpessoal, Peter retira a projeção de seu pai humano.

Ao confrontar com a instância transpessoal do pai, há uma transformação da personalidade do herói.

No filme, Quill se torna maduro e estabelece sua ética interna.

Ele se identificou com pai, ou seja, conheceu o pai em si, deixando de ser o eterno filho, podendo agora chegar ao poderio e a realeza.

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Referências bibliográficas:

CAMPBELL, J. O herói de mil faces. São Paulo, Pensamento: 2007.

HARDING, E. M. Os Mistérios da Mulher. 4 ed. São Paulo: Paulus, 2007.

JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

NEUMANN, E. História da Origem da Consciência. 10 ed. Cultrix. São Paulo: 1995.

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