Mandalas – Os Espelhos da Alma

Mandalas – Os Espelhos da Alma

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Encontram-se mandalas nas mais antigas e diversas culturas, seja na organização circular de pedras, nos mais variados rituais em grupo, nas danças, nos desenhos em areia, na arquitetura de templos e igrejas, nas belas artes e em tantas ritualísticas mais. Por fazerem parte da história humana sempre em relação com o transcendente, essas figuras misteriosas nos causam curiosa atração.

Não há registros de uma primeira mandala, já que sempre estiveram em todo lugar, seja figuradamente ou como sistemas circulares de natureza cósmica. O circulo é o modelo arquetípico da vida.

Mandalas são traduzidas do sânscrito como círculos mágicos. São círculos enquanto vistos em 2 dimensões e esferas quando vistos em três dimensões, porém sugerem e configuram algo muito mais profundo: o núcleo, sem dimensão nem lugar e ao mesmo tempo virtualmente contendo tudo. Conteúdo e a forma, potencial e manifestação, único e múltiplo, semente e floresta, todos contidos no mesmo ponto, o centro.

Apenas por meio do símbolo o inconsciente pode ser atingido ou expressado e tais figuras arquetípicas são mágicas por serem capazes de transformar a energia psíquica. Assim, o símbolo mandálico se mostra como chave para as portas do processo de individuação, a auto-realização do ser, como o altar sobre o qual a consciência e a vida são criadas e se desenvolvem. Devemos conhecer tal espaço sagrado interno se queremos entrar em contato com a unidade geradora, seus motivos, anseios e seu fluxo de manifestação.

Buscando compreender a alma, C.G. Jung foi um grande estudioso das ciências ocultas, dentre elas as provindas do Egito, que lhes ofereceram substância para o desenvolvimento de seus conceitos fundamentais e que orientam a visão terapêutica junguiana até hoje. Para abrir o conceito de mandalas como espelhos refletores da alma, observemos então duas das sete leis Herméticas:

  • Lei Hermética da Correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora.”
  • Lei da Polaridade: “Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”

Com tais informações tão sintéticas de compreensão podemos ver que as perspectivas da vida mudam de acordo com o referencial, que os opostos não passam de polaridades de uma mesma força, em um mesmo raio ou linha que compõe a mandala da totalidade, nessa dança energética que funciona exatamente por seu auto-reconhecimento. Cabe então à alma o desafio da Coniunctio, a reunião integrativa dos opostos em um mesmo centro.

É no foco da conjunção entre aproximação e distanciamento, nesse rodear em si-mesmo, que o trabalho arte-expressivo com mandalas pode auxiliar o indivíduo, promovendo saúde inicialmente pela oportunidade de se expressar, depois de observar a expressão e, posteriormente, reformar-se internamente. Para ilustrar em exemplo externo, podemos notar essa mesma dinâmica ocorrendo quando nos aproximamos do espelho a fim de observar e reparar algo que nos pareça desarmônico em nossa roupa ou corpo.

Por trás de toda ação há o desejo de mudança. Sendo assim, o símbolo mandálico não se resume apenas à expressão, mas encaminha consigo a atuação, pois age sobre o próprio autor, carregando todo o potencial arquetípico cultuado e preservado nos costumes humanos mais primordiais. As mandalas podem ajudar no encontro desse templo de si, a área mais sagrada e íntima da alma, preservando-a para as operações subsequentes em um ambiente sem perturbações ou distrações externas. Ou seja, mantendo o líquido da Vida em um vaso sem furos que a contenha.

O movimento que se impõe naturalmente em uma mandala sugere a circumambulatio, ou “aproximar-se circundando”, já que é na circulação que delimitamos a área sagrada e também nos aproximamos dela pela concentração. Para C.G. Jung, a circulação seria o ato de “mover-se em torno de si mesmo, de modo que todos os lados da personalidade sejam envolvidos”, ou seja, um acercamento ao self pessoal, diretamente relacionado ao Todo universal, pelo produto da alternância entre polos, sejam luz/sombra ou quaisquer outros pares de opostos psicológicos.

Enquanto ocorre o encantamento da própria personalidade mediada e amplificada pelo recurso gráfico, nesse espelho da alma os olhos são os opostos, curiosamente os únicos círculos do corpo que refletem o exterior, que unem-se para observar. A imagem refletida na mandala nos dá a visão do si-mesmo, assim como seus anseios, durante a longa e circular jornada da vida.

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Caio Felix (Bhaktiananda Das)
Caio Felix, também chamado de Bhaktiananda Das por sua iniciação filosófica Vaishnava, é pós graduando em Arteterapia, artista multimídia com foco no estudo e prática de Mandalas, bacharel em Comunicação Social, designer gráfico, estudante de psicologia analítica pelo Núcleo Junguiano de Florianópolis e filosofia védica pelo Templo Vrinda Ashram, onde residiu 4 anos como estudante monástico celibatário, também sendo presidente/diretor do Centro Cultural Vrinda de Florianópolis. Criou o Projeto EAI de Educação e Artes Integradas em 2009, que se moldou a partir do projeto de extensão em Ciências Sociais, na USP. Viaja com suas oficinas arte expressivas com o objetivo de auxiliar no encontro do ser com sua identidade original.

4 COMENTÁRIOS

  1. Bem interessante esse tema sobre as mandalas gostei sou estudante de psicologia estou no ultimo ano gosto de assuntos interessantes que venham acrescentar minha formação . abraço Caio Félix

  2. Que maravilha, Edna!!!!
    Espero que esse seu último ano de estudos na faculdade abra porta pros tantos anos seguintes de prática nesse universo lindo da alma. Estamos sempre em formação!!!!

    Grato pelo apoio!!!

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